É, não sei!


É, tá cada vez mais difícil esconder esse sentimento, por muito tempo, consegui controlar e até torna-lo algo tranquilo. Só que agora tudo mudou, de nós, até o ambiente em que vivemos já não é igual à antes. Estamos fazendo um ano e quanta coisa aconteceu, para qualquer lugar que olhe, há um pouquinho de você, desde um comentário até a sua presença de corpo inteiro, são doze meses de convívio contínuo, com algumas variáveis, mas sem intervalos. Hoje, já não consigo separar, digo até que me conheces, não sei se isso é bom ou ruim, só sei que somos íntimos e isso não dá para separar.

Construímos a nossa amizade em cima de um ambiente de transição e rumores, sou eu me encontrando, no momento em que você se reinventa, enquanto todos vêem além dos próprios olhos. Não sei até onde abri a cortina para os outros começarem a dizer o que dizem, mais sei que levei muito tempo tentando transformar todo aquele encanto em amizade. Admitindo que você não ajuda tanto (fala de mim, mas é igual) resistir ao seu charme sempre foi uma tarefa difícil para mim. Enquanto haviam paredes, até que deu para justificar com outro foco, mas depois que elas ruíram, minha mente fértil quis fazer o “certo” ruir também. Até a primeira aproximação, estive bastante certa da minha condição. Foi tanto tempo amiga, amiga, amiga que hoje não consigo ser outra coisa e talvez por causa de tanta confiança, hoje somos assim. Uso a palavra assim por não saber explicar o que somos, partindo do que sinto, somos amor. Não aquele amor de cinema ou estereotipado pelo relacionamento entre um homem e mulher, mas aquele amor que ouve, se preocupa, cuida e sente saudades, o mesmo amor que se sente por um irmão ou amigo de verdade. A única diferença desse amor é o desejo, a sinergia de cheiros que atrai a admiração que transcende qualquer limite quando estamos presentes. Mas será que tal sentimento pode ser chamado de paixão? Será que nós nos encaixamos no estereótipo de casal? Sinceramente, não sei.

É complicado domesticar um sentimento e depois deixar que ele fale sozinho, principalmente quando sabemos de tudo e nos apegamos a pessoa. É exatamente esse saber que faz com que a ideia de casal seja totalmente descartada, depois de tudo, sei que precisas da liberdade. Foram muitos anos de asas cortadas e sentimentos frustrados para em questão de meses se dedicar exclusivamente a outra pessoa. Me conheço o suficiente para saber que se eu deixar me levar, o sentimento de posse vai aflorar e sei que depois de 10 anos de altos e baixos, relacionar-se costuma ser algo complicado. Ainda não passei por frustrações suficientes para me fechar ao amor, pelo contrário, quero mais é transformar todas elas em triunfo, quero poder pôr em prática todas as lições aprendidas nesses 10 anos de relacionamentos sérios e não tão sérios assim. Só tenho um trauma e milhões de lições, milhões de sentimentos dispostos a ser depositados em um único coração, que apenas faça por onde merecê-lo. Se eu souber o que é amor, já amei e desamei muitas vezes, foram muitos contos de fadas sem um fim consistente, o que quero agora é um amor de verdade, uma história real, sem data para “happy end”. Já passei por todo aquele período de conhecer a si e entender o mundo, quero agora me sentir parte dele e uma das rodas que o movimenta, meu tempo de ser carregada ou depender dos outros já deu.

Você me pergunta se pretendo terminar


Você me pergunta se pretendo terminar, eu, que nunca tinha me perguntado isso, tenho medo da resposta que posso dar. Pela primeira vez não sei se devo falar o que se quer ouvir ou aquilo que passa na minha cabeça, quem sabe até o que realmente queira – mas como falar o que quero, se nunca parei para pensar.

A verdade é que nem tudo se responde com um sim ou um não. Nesse caso, seria sim, se não tivesse a plena consciência de que você precisa da sua liberdade, se desprender de qualquer tipo de obrigação ou monogamia. E a mesma consciência de que não funciono no modo pega e não se apega, gosto de me dedicar, cuidar, não sobrevivo à incerteza ou um não, sou possessiva demais pra isso. Ainda que não sufoque, gosto de certezas, não quero doar a quem não quer fazer o mesmo. Aí acaba sendo não pelo simples fato de querermos coisas diferentes, não culpo, é mais que necessário o seu desprendimento, mas ao mesmo tempo, é tarde e arriscado para mim permanecer a disposição. Tenho muito amor e carinho para dar, mas só faço depósito em conta confiável e neste caso, é hoje e pode não ser amanhã.

Eu vou cantar pra saudade

Acho que não sou a única a sentir saudades por aqui, ninguém com outro sentimento, me ligaria em pleno meio da semana, durante a madrugada para saber como estou se não estivesse sentindo saudades. Com uma voz doce, desconfiado por ter me acordado, não quis falar muito, para que eu não despertasse. Sabia que eu estava dormindo, mas a vontade de falar era maior. Sentir como se estivesse sufocado, no meio de confusões e viu em mim, a chance de se desprender por alguns instantes.

Ainda bem que, mesmo dormindo, lembrei tudo isto antes de reclamar por ter esquecido o meu aniversário ou por ter sumido. Mas eu sabia que você sabia do meu dia e sou eu que não tenho respondido as suas mensagens. Prometi que não ia mais te procurar, preciso esquecer tudo isso antes de estragar mais uma estória por não resistir a você. Me pego pensando, não posso negar, mas aceitei em terminar. “É mais fácil começar uma nova estória do que concertar uma antiga” – já ouviu isso? Nunca acreditei tanto nisso como agora. Prova disso foi expor a gente para quem poderia morrer sem saber, mas contar me ajuda a me distanciar. Depositar em outro os meus pensamentos, faz com que, no meu repertório, você fique para trás. Penso em um dia jogar tudo para o alto e colocar em prática tudo que sempre quisemos -só que na mesma hora volto atrás e penso que não vale a pena. Tivemos o tempo da gente e você as suas chances, nada se consolidou, então porque agora? Pra quê arriscar? Prefiro deixar pra lá, direcionar as minhas energias, pedindo a cada dia, que você evite aportar minha mente.