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Dói em mim

Ainda que converse muito mais que antes, ainda que tenha uma amiga, ainda que me sinta querida e amada, reclamo de barriga cheia. Não é que não esteja satisfeita, mas certas coisas me incomodam, entristecem e fazem com que tudo se transforme.

Dói às meninas a sua volta, essa falta de segurança... Já fiz tanto que acho que pode estar acontecendo o contrário agora, passei por cima de tanto que me sinto sendo pisada pelo fantasma da justiça. Dói a incerteza sobre o nosso futuro, temo que tudo isso acabe e que prevaleça o sentimento de erro, é tudo muito novo, mal te conheço e já faço mil planos, fingindo não vê os teus defeitos. É muita expectativa e pouco repertório, é um passado promíscuo e um presente tentador. Finjo não ligar para o que vejo, para confiar em você, mas recados e fotos me machucam a cada olhar, definitivamente, seu passado dói em mim!
Só que mais que isso, o que mais doi em mim é como eu sou a primeira a me machucar, como consigo me mutilar e ainda fingir que está tudo bem, acreditando na lei do retorno que sempre tarda em chegar. Sei exatamente o quanto dói pagar de amiga quando a amizade passa longe, o quanto me prejudica abrir mão da minha rotina quando alguém me pede a mão, o quanto perco tempo tentando entender o que poderia ser explicado se eu tivesse coragem de perguntar. Peco por não falar aquilo que me incomoda, porque sinto raiva ou desmotivação e estampo no rosto alegria e satisfação. Peco quando sinto ciúmes e finjo achar normal, peco quando digo estar tudo bem quando tudo está mal.

Dói manter-se a disposição para ouvir, ajudar e quando procuro um ouvido ou um abraço estou sozinha em um quarto. Meu ombro amigo é um computador, as palavras de consolo que ouço, são os barulhos que o teclado faz enquanto digito, o abraço apertado é a música que ouço enquanto as lágrimas deságuam junto aos acordes. Dói saber que sou corajosa de travesseiro, quando deito digo que vou fazer e acontecer, mas quando acordo, continuo a mesma covarde que não consegue dizer não as pessoas e que faz de tudo para agradá-la. Ainda que grite mais que antes, as frases que solto não são metade da angústia que carrego há anos, a única evolução significativa que tive é que não tenho mais câimbras de tanto escrever, pois troquei o papel e a caneta por um computador. Só que tudo tem limite e hoje, me sinto cansada, cansada desse feedback que eu não permito me alcançar, cansada dessa falta de coragem, desse medo de dizer o que penso ou de dar saltos largos, é tudo sempre muito bem premeditado, cada palavra é pensada, treinada, ensaiada. 

Na frente dos outros, as palavras não saltam como saltam neste papel, as lágrimas são tímidas demais para terem plateia, os sentimentos só afloram quando estou aqui. Não, não estou reclamando do papel, gosto e preciso dele, é que sinto falta de um carinho, de alguém que se dedique a mim do mesmo modo que sou aos outros. É que não é a primeira vez que reclamo disto ou de mim mesma, é que tá cada vez mais insuportável. Sei exatamente o erro, o histórico e suas consequências e ainda assim, não faço nada para mudar, continuo esperando o dia que alguém irá invadir novamente a minha vida e tomar posse de todas essas dores e dividir comigo as angústias da minha própria personalidade.

Irresponsabilidade


É querer cobrar responsabilidade de uma criança, de alguém que só sabe o significado da palavra e ainda não colocou em prática. É exigir de quem não sabe o que é, que não abriu a mente ou provou das conseqüências fortes que ela pode provocar se não soubermos lidar com ela.

Mas é isso que dá se envolver com pessoas assim, você pensa que vai mudar, que é só questão de tempo para acordar e a cada capítulo inédito a sua expectativa diminui. Acaba sendo necessária muita energia para fechar os olhos e fingir que tudo está bem, quando na verdade você queria era abrir a cabeça – literalmente – e sair enfiando um monte de coisas. Até onde isso é defeito, não me atrevo a dizer, mas que estas atitudes irresponsáveis, de pensamento pequeno e acomodado me incomodam profundamente, ah! Incomodam. Dormir é necessário e muito bom, mas temos uma vida pela frente e não podemos passar por ela dormindo.

Se eu for falar, vão dizer que é posse, é porque to querendo moldar a pessoa ao meu pensamento, mas não sou a única que pensa assim e não tive perdas drásticas com o meu comportamento. No fim das contas, as insatisfações chegam na ponta da língua e voltam, as vezes fazem plantão nos meus pensamentos mas me falta coragem para colocá-las para fora. Caço energias de onde quase não tem e continuo na esperança de que mais para frente será melhor. Sempre é difícil fingir que não vê, mas a vontade de ficar por perto se torna um bem maior, de repente, normalmente quando estamos presente, sempre nos esquecemos destes e de tantos outros episódios. Mesmo distante, a vontade é tanta que mesmo indigesto, a gente faz disso um alimento acreditando que no fim, será forte e sadio. 

Desalinhar


Sempre ouvi dizer que relacionamento é troca, mas sempre confundi-lo com dedicação exclusiva, desta vez, há mais dedicação exclusiva do que uma troca de fato.

Já faz parte de mim dedicar-se aos problemas e felicidades dos outros, sempre foi comum a minha satisfação está ligada à realização de um terceiro. Mas nunca me dei conta ou estive reprimida por tal comportamento, a grande questão é que em um determinado momento, percebi que aquilo que tinha ou queria, estava muito mais ligado aos outros do que a mim. E logo eu que sempre critiquei a falta de atitude alheia, estava sendo totalmente pautada por outras pessoas. Só que tal reflexão se dá exatamente em um momento de transição, de auto reconhecimento, de grandes mudanças que às vezes é visto como egoísmos.

Tergiverses a parte, hoje já não me permito viver em função ou tomar os problemas dos outros para mim. É mais difícil, principalmente pelo choque de quem estava acostumado, pois estes terceiros são íntimos o suficiente para interpretar como quiserem. E a tal da interpretação é capaz de fazer estragos grandes, em pessoas como eu, que não se dispõe a explicar as coisas antes de fazê-las. A princípio, isto cabia a amigos e família, pois me faltava um amor, e durante esses dias, essa diferença entre troca e dedicação exclusiva se tornou razão de um grande desalinhamento, muito bem alinhado em um encontro de lábios, mas precedido por muita insatisfação e desejo de finalização.

É fácil ficar sentando vendo os defeitos dos outros ou regulando o comportamento alheio, sem olhar a si mesmo. Existe uma grande diferença entre aquilo que as pessoas são e como você gostaria que elas fossem. São essas duas verdades que explicam o desalinhamento pessoal, para um possível alinhamento do casal. Mesmo não condizendo com o a minha postura atual, pretendo mudar o ponto de vista para vê se surge uma equidade na troca. É como se houvesse um trato, ao invés de projetar a mim, vou projetá-lo para vê se a assim a postura dele muda e com essa mudança do meu comportamento o nosso relacionamento fortaleça novamente.

Sei que a distância e a minha falta de foco contribuíram para esse desalinhamento, mas o recente encontro, de pensamento desviado em alguns momento, me fez escolher de que lado desta linha quero ficar e como toda escolha exige forças, vou gastar as minhas em função dele. Tudo isto porque o parceiro não solta os pensamentos de traição recorrentes em seu passado e somado a sua imaturidade proveniente de sua pouca idade, fazem com que o esperado não conduza com a realidade, o que acaba gerando a minha insatisfação. Mas, com razão e desejo reconhecidos, fica bem mais fácil alinhar.

Olhando para mim, admito que deixo nascer outra pessoa novamente, é mais uma que surge para agradar e fazer um relacionamento dar certo. Não estou sendo eu quando aceito a submissão, não estou sendo eu quando me coloco ao seu serviço. Estou sendo eu quando exagero no amor e me adapto a você, não que neste caso não esteja, é exatamente por adaptar-se que digo que vou me acostumar com a sua postura e falar apenas aquilo que você quer ouvir. Se isso é exagerar, já não sei, o fato é que ando cansada desses galhos e ainda com raiva, não canso de ter provas do quanto você me encanta.

Deixar e ser deixado


Às vezes eu penso que você pede para ser deixado, se soubesses dos últimos sentimentos, não agiria assim. É como se quisesse e não achasse motivo, é como se não soubesse namorar, sinceramente não entendo. Sobre o pouco que entendo namorar não é dizer que ama e perguntar como foi o dia, namorar é provar diária e inesperadamente o quanto aquela pessoa é importante para você. Se existe de fato um sentimento, porque tantos altos e baixos? Dizem que o amor é cego, mas o seu – se é que existe – deve ser biônico ou especialmente desenvolvido para olhar apenas para si mesmo.

Responder ao que se é imposto não é amor, amor não tem rotina, não tem singularidade, não tem egoísmo. Acho que na escola que você cresceu, você era aluno especial, foste educado como único, como aquele que todos servem e dão atenção, mas cadê a reciprocidade? Cadê o amor que você diz ter? Cadê a unidade? Fazer as minhas vontades não é amar, isso é ser acessível. Responder aos carinhos soa até como esmola, como agrado, nunca como amor. Não sei se é de onde você vem ou é comigo, mas não sei achar normal tudo isso. Cadê as palavras doces, que mesmo sendo apenas palavras, tem o poder de tornar os dias mais fáceis? Cadê a criatividade? Cadê a emoção de amar? Tudo isso se perdeu e nem desgastado ainda estamos.

Não, não é “viagem” minha como você vai pensar. É como se na virada do mês aquele menino inseguro e autocrítico se transformasse no maior dos autossuficientes da prateleira mais alta, que acha que faz um favor em me ligar.  Ok! Seus defeitos são mais notáveis hoje em dia, mas além disso, o que mudou? Não plantei egoísmo para colher preponderância, plantei carinho e só recebo bipolaridade. Parte disso, é culpa da falta de conhecimento, estamos nos conhecendo, eu sei, mas quando você se apresentou, não sabia que chatice, irresponsabilidade e mimos nos trariam problemas. Tá, também tenho defeitos, mas no meio deles, garanto que nenhum lhe coloca em segundo plano como costumo ser deixada. Já temos a geografia para nos atrapalhar e você ainda coloca mais meninices e imaturidades para nos afastar. Seria mais fácil se pudesse ver os seus olhos o que é raiva e o que é saudade, mas o que ouço, só tem sido um discurso egoísta de uma pessoa que não faz a mínima questão de estar comigo.

Existem certas frases ditas por você que são executadas instintiva e repetitivamente na minha cabeça, são elas que me fazem pensar duas vezes sobre o meu comportamento doce ou presente. Pode ser rancor ou nóia da minha parte, mas é claro que não éramos assim, tínhamos uma sintonia, encontrávamos prazer no outro, agora é como se estivéssemos esperando a próxima alfinetada, já que, como você diz, não brigamos. Não me queixo dos seus defeitos, a ele, acredito que posso me acostumar, reclamo da sua ausência, reclamo de não conseguir saber o que está acontecendo. E exatamente por não saber, fantasio coisas, altero meu humor e não relaxo. Tudo o que não é do amor, namorar é ter sonhos possíveis e bom, não fantasias, amar é ser doce, é viver em paz não é este estado de alerta que nós estamos.

É, não sei!


É, tá cada vez mais difícil esconder esse sentimento, por muito tempo, consegui controlar e até torna-lo algo tranquilo. Só que agora tudo mudou, de nós, até o ambiente em que vivemos já não é igual à antes. Estamos fazendo um ano e quanta coisa aconteceu, para qualquer lugar que olhe, há um pouquinho de você, desde um comentário até a sua presença de corpo inteiro, são doze meses de convívio contínuo, com algumas variáveis, mas sem intervalos. Hoje, já não consigo separar, digo até que me conheces, não sei se isso é bom ou ruim, só sei que somos íntimos e isso não dá para separar.

Construímos a nossa amizade em cima de um ambiente de transição e rumores, sou eu me encontrando, no momento em que você se reinventa, enquanto todos vêem além dos próprios olhos. Não sei até onde abri a cortina para os outros começarem a dizer o que dizem, mais sei que levei muito tempo tentando transformar todo aquele encanto em amizade. Admitindo que você não ajuda tanto (fala de mim, mas é igual) resistir ao seu charme sempre foi uma tarefa difícil para mim. Enquanto haviam paredes, até que deu para justificar com outro foco, mas depois que elas ruíram, minha mente fértil quis fazer o “certo” ruir também. Até a primeira aproximação, estive bastante certa da minha condição. Foi tanto tempo amiga, amiga, amiga que hoje não consigo ser outra coisa e talvez por causa de tanta confiança, hoje somos assim. Uso a palavra assim por não saber explicar o que somos, partindo do que sinto, somos amor. Não aquele amor de cinema ou estereotipado pelo relacionamento entre um homem e mulher, mas aquele amor que ouve, se preocupa, cuida e sente saudades, o mesmo amor que se sente por um irmão ou amigo de verdade. A única diferença desse amor é o desejo, a sinergia de cheiros que atrai a admiração que transcende qualquer limite quando estamos presentes. Mas será que tal sentimento pode ser chamado de paixão? Será que nós nos encaixamos no estereótipo de casal? Sinceramente, não sei.

É complicado domesticar um sentimento e depois deixar que ele fale sozinho, principalmente quando sabemos de tudo e nos apegamos a pessoa. É exatamente esse saber que faz com que a ideia de casal seja totalmente descartada, depois de tudo, sei que precisas da liberdade. Foram muitos anos de asas cortadas e sentimentos frustrados para em questão de meses se dedicar exclusivamente a outra pessoa. Me conheço o suficiente para saber que se eu deixar me levar, o sentimento de posse vai aflorar e sei que depois de 10 anos de altos e baixos, relacionar-se costuma ser algo complicado. Ainda não passei por frustrações suficientes para me fechar ao amor, pelo contrário, quero mais é transformar todas elas em triunfo, quero poder pôr em prática todas as lições aprendidas nesses 10 anos de relacionamentos sérios e não tão sérios assim. Só tenho um trauma e milhões de lições, milhões de sentimentos dispostos a ser depositados em um único coração, que apenas faça por onde merecê-lo. Se eu souber o que é amor, já amei e desamei muitas vezes, foram muitos contos de fadas sem um fim consistente, o que quero agora é um amor de verdade, uma história real, sem data para “happy end”. Já passei por todo aquele período de conhecer a si e entender o mundo, quero agora me sentir parte dele e uma das rodas que o movimenta, meu tempo de ser carregada ou depender dos outros já deu.

Você me pergunta se pretendo terminar


Você me pergunta se pretendo terminar, eu, que nunca tinha me perguntado isso, tenho medo da resposta que posso dar. Pela primeira vez não sei se devo falar o que se quer ouvir ou aquilo que passa na minha cabeça, quem sabe até o que realmente queira – mas como falar o que quero, se nunca parei para pensar.

A verdade é que nem tudo se responde com um sim ou um não. Nesse caso, seria sim, se não tivesse a plena consciência de que você precisa da sua liberdade, se desprender de qualquer tipo de obrigação ou monogamia. E a mesma consciência de que não funciono no modo pega e não se apega, gosto de me dedicar, cuidar, não sobrevivo à incerteza ou um não, sou possessiva demais pra isso. Ainda que não sufoque, gosto de certezas, não quero doar a quem não quer fazer o mesmo. Aí acaba sendo não pelo simples fato de querermos coisas diferentes, não culpo, é mais que necessário o seu desprendimento, mas ao mesmo tempo, é tarde e arriscado para mim permanecer a disposição. Tenho muito amor e carinho para dar, mas só faço depósito em conta confiável e neste caso, é hoje e pode não ser amanhã.

Contrato de contradição

Sei da minha eterna contradição, sei da minha fácil adaptação, mas assim como sei de tudo aquilo que já passei, sei do quanto me sinto disposta a viver com você. Por muito tempo eu tive repúdio a esse papo de casamento, mas essa distância e a agunia que dá querer te tocar e não poder, me dá vontade de morar com você. Quem casa, que casa, já diz o ditado, no meu caso é quero casa com você. Todo dia sonho em voltar pra casa e te encontrar, poder deitar mais uma vez no teu colo e poder conversar com a única pessoa que realmente tem me dado atenção.

São só 21 dias, sei disso também, mas é como se já te conhecesse e por mais ilusório que seja, é como se você não fosse capaz de me machucar. Queria que os dias voassem, que terminasse tudo aqui para poder ficar mais perto de você e ter a certeza de que nada disso é em vão. Poder dizer que de onde menos se esperava, saiu aquele que conseguiu me livrar dos amores doentis, do egoísmo e individualismo constante que vivi. Sempre que penso em você, tenho vontade de te pegar no colo feito criança, proteger como mãe protege um filho, não queria que te faltasse nada, das coisas mais abstratas até as mais materiais eu queria poder te dar, só para retribuir o bem que você me faz.

Sei que daqui há alguns meses posso ler isso novamente e dizer que nada disso foi verdade, posso estar assinando o meu atestado de contradição, mas hoje, falo com todas as palavras que não te trocaria por ninguém. Não vivemos o suficiente para ter essa certeza, pode ser encanto de começo, pode ser muita coisa ruim, mas também pode ser as primeiras frases de uma longa história.


Não aguento

Já falei muitas vezes que não aguentava, mas hoje eu realmente, não aguento mais. Chegar mais tarde em casa, viajar, evitar dirigir a palavra não é o suficiente, ajuda, mas é tapar o sol com a peneira. Minha cabeça dói, não dá mais pra fingir que isso tudo não está acontecendo. A verdade é que pensamos diferente, queremos diferente, sonhamos diferente, nada será igual e forçar uma igualdade é ferir a si mesmo. Não é que eu odeie, juro, não odeio, sou até muito grata, mas isso não quer dizer que preciso engulir calada.

Só queria ir embora, andar com as minha próprias pernas, meter a cara no chão se for preciso até, mas ser eu, só isso! E daí se ando com um monte de meninos, e daí se eu não agrado as pessoas, se eu ficar sozinha, drograda ou rapariga é escolha minha, se eu quiser, não vai ser você que vai me impedir. Minha cabeça dói, parece que vai explodir e essas lágrimas que não me deixam respirar, Oh Deus! Quantas vezes já te pedi pra mudar isso. Até quando vou ter que aguentar?

Do nosso amor, a gente é quem sabe

Quem se importa se isso tudo é um erro, quem se preocupou comigo nas várias vezes que me machucou. Somos perfeitos? Não erramos mais? Viramos robô, nos tornamos ciência e só, não há mais sentimento, não há mais emoção. Se estamos juntos é porque é coerente, não porque nos sentimos bem. Se vamos nos comprometer, temos que pedir permissão aqueles que gostam da gente. Ahhh, façam-me um favor!  Quantas vezes estive feliz com os meus impulsos, me adapto, não vou machucar ninguém, e ainda que machuque, é na perca que aprendemos. 

É muito fácil estar, confortavelmente, de fora apontando os erros dos outros, olhando os fatos, não os sentimentos. Se os meus atos dependessem somente dos fatos, minha vida seria outra – melhor até! Mas infelizmente, não somos puramente razão, precisamos dela, mas não podemos viver só com ela, os sentimentos é que temperam a relação, que fazer de nós humanos. Os erros de hoje, são os acertos de amanhã, viver uma vida sem risco, sem erro, é viver superficialmente. Isso não quer dizer, que vamos sair machucando todo mundo, mas não podemos deixar de viver porque vamos cometer um erro, ninguém sabe de tudo, o que para você é um erro, para mim pode não ser.

Dizer que sei o que estou fazendo é mentira, mas não estou vivendo uma mentira. Só eu sei o que me leva a aceitar ou não e o que pode ser bobo para você, para mim não é. Se para uns a errada sou eu, o meu “erro” é uma defesa. Já senti na pele os lados de um amor, da dor de ser deixada até a overdose de um romance pleno e nesse assunto, sei, melhor do que muitos, onde estou pisando. Olhar de fora, sem sentimentos, é fácil entender e dizer quem tá errado, mas joga um balde de medo, insegurança e dor que verá que não é tão simples assim.

Pode ser carência, refúgio, pode ser o que vocês quiserem, não vou provar nada. Eu sei que não é isso, é na verdade, um modo de me manter presa ao que é certo. As escolhas foram feitas sem levar os meus atos em consideração então porque eu vou considerar quem não se arrisca por mim. É muito lindo esperar por quem nunca esperou por mim, é muito romântico ser fiel a quem, nem quando estava comigo, foi fiel a mim. Só que o amor cega e me tira os limites, se ficasse como estava, não ia prestar.

Eu não preciso amar para estar com alguém, basta sentir-se bem ao lado dela. O amor é importante, mas se ele não nasce novamente, a gente tenta forçar uma semente. Mas como dizem, “eu não amo ninguém”, então, não preciso de nada disso. Tal afirmação não é minha, mas é dita com tanto propriedade que parece até que a pessoa está dentro de mim, sabe todos os amores e desamores que deixaram sequelas em mim, vem de quem acha que sabe tudo sobre o amor.

Dar conselhos e um ouvido amigo é uma coisa, agora falar com propriedade de algo abstrato, apenas baseado em fatos é ousadia. Opiniões são fundamentais, agora querer que me comporte de acordo com elas é demais. São reflexões importantes para mim, só que opiniões não são regras, não é porque você pensa de um modo, que tenho que pensar também. Tá, pra você eu errei, ok! Mas no fim das contas, quem sabe da gente, quem sabe onde o calo mais dói, somos nós mesmos.

Idiota.

É engraçado quando você espera um monte de coisa de uma pessoa e aparece outra, do nada, e faz tudo aquilo que você há tanto tempo queria e ninguém nunca pensou em te dar. É quando a gente percebe que somos reféns e não donos do tempo, que por mais que você faça por onde, quando não é pra ser, não adianta insistir, claro que é preciso tentar, mas há limites até nas tentativas.

É.. não será você, não por falta de iniciativa, mas por falta de interesse seu. Quem chegou depois, me deu muito mais em tão pouco tempo, não sei se por merecer ou pra me fazer desistir de você. Independente da razão, é mais um que desisto sem saber o que poderia acontecer...

Peço três.


Quanto mais eu penso, mais não entendo como se tornar merecedora, sei todos os princípios, mas sei que não somos de cumpri-lo. Mesmo sem saber, faço os meus pedidos, merecedora ou não, quero outra casa, outro amor e outro trabalho... quase nada! Praticamente uma vida nova sem nem saber se é hora. To me sentindo em 2009, só que dessa vez eu tenho mais medo, se não der certo, o estrago será maior. Não sei se estou de acordo com o meu destino, não sei se mereço e por isso me prendo. Não há nada, nem ninguém para me segurar lá em baixo e sei que as minhas escolhas vão machucar, pra variar, quem não merece!

Minha mania de não dizer não, somada a minha ambição geraram uma puta decepção

Cinco é pouco pra quantidade de bombas atômicas em cima do meu cérebro, não aceito o “abraçar o mundo” não sei se por orgulho, mas de fato, estou sobrecarregada. Queria poder fechar os olhos e não vê o tempo passar, para só acordar quando tudo estivesse na ordem que pedi. É mais uma crise onde tudo parece estar errado, o lugar onde estou, para onde e com quem vou, não quero nada disso, o meu querer estar em outro lugar.


Vou fazendo o que não queria, vacilando onde não devia, reprovei cadeira, perdi o foco, perdi os prazos não era isso o que eu queria, mas é isso que dá! Estou onde não queria estar, sentindo a decepção da minha ambição, da minha necessidade às vezes doentia de aumentar o meu repertório. É uma busca incessante de querer estar sempre fazendo alguma coisa, envolvida em algum projeto, atuando de alguma maneira sem se dar conta que tudo se repete, que o que acontece hoje, acontece amanhã, depois, e depois. Não é o primeiro tropeço workholic da minha vida, dessa vez pelo menos eu como e durmo, mas não queria ter atingido o que atingiu. Mudei de faculdade pra melhorar e não sei se melhorei mesmo, me encontrei bastante, mas não está sendo exemplar como deveria, perdi o controle das coisas.


Foi preciso chutar o balde pra mente esfriar um pouco, ainda dói muito toda essa tensão misturada com decepção e arrependimento. Não sei se acordei tarde, não sei onde de fato errei, só sei que vacilei e me sinto responsável demais pra aceitar isso numa boa. Ainda prefiro aceitar e errar agora do que lá na frente, quando deixar de ser aprendiz mas esse pensamento não conforta, ainda que ninguém critique ou julgue, eu sei que errei e isso não é legal. É aquela velha história, “merdas acontecem”, é conformismo demais, eu sei, mas não há mais o que fazer, minha mania de não dizer não somada a ambição geraram uma puta decepção. Paciência! Não há mais o que fazer, a não ser jogar a sujeira pra debaixo do tapete e arrumar a casa novamente, pra lá na frente voltar pra limpar o tapete, já que a poeira, infelizmente, não some sozinha.



Esse filme eu já vi

É ruim quando as coisas não são como se espera, pior ainda quando se une amor e amizade em uma mesma balança. Não acho que seja a pessoa, mas sim o comportamento, um pensamento individual que em nenhum momento para pra perceber uma possível satisfação alheia. É atitude de quem olha o próprio umbigo, de quem não pensou que um simples desapego poderia trazer a paz de espírito de outrem. Pensamento este que não me surpreende, mas me entristece me faz pensar duas vezes sobre o nível de bondade das pessoas.

Não é a pessoa e sim o ato, poderia ser qualquer um, o desentendimento seria o mesmo e nem tão inesperado. Não associei as coisas, até porque, entendia como uma coisa boba, como as muitas coisas bobas que já pensei a respeito e nunca precisei externar. Mas cada um, é cada um, não é só porque guardo certos sentimentos que as pessoas vão fazer o mesmo, infelizmente, ninguém tem a mesma maturidade e postura. Não queria esse sentimento em mim, principalmente quando se trata de quem se trata, mas às vezes é preciso olhar para si. Pode parecer falta de consideração, pode parecer desnecessário, pode parecer muita coisa, mas pra mim, é um filme que já vi e que mais uma vez me deposita uma culpa que não é minha.

Tudo acaba ficando muito confuso, a insegurança bate a porta e você se sente um merda sem ser. Não foi proposital, aconteceu como acontece todos os dias, só teve a infelicidade de se tratar de um triângulo uniforme ao invés do velho círculo de convívio que partilhamos. E que além da estreita relação, as pessoas presente nela às vezes não conseguem vê o outro lado da história e dentro de diálogos se aproveita para alfinetar e colocar a prova princípios estabelecidos. E um sentimento de posse idiota acaba produzindo dúvidas sobre algo que nunca faria, poderia ter feito e nunca fiz.

Já usei o “aconteceu” como justificativa uma vez, só que agora eu sabia o que estava fazendo e fiz por achar que as pessoas não seriam egoístas e possessivas, mas foram e eu também já fui e fiz. Não é motivo para briga e tensão, mas sabendo do que sei, não será natural nem agradável, será um parêntese que nem todos terão acesso, será uma omissão. Isso se tiver que ser alguma coisa, pois até agora eu não sei, me pergunto até onde vale a pena e o que é mais agradável. Na balança, sei bem o que pesa mais, mas ainda que submisso, tenho o meu orgulho e necessidades, quem ninguém leva em conta e que eu não posso deixar de contar.

Seus argumentos não justificam, me revoltariam se eu não soubesse quem é, me afastariam se eu já não soubesse que isso poderia acontecer. As vezes que disse não ou que não me envolvi foi exatamente para evitar situações como essa, nunca foi assim, mas já foi parecido. E assim como tudo, você vai esquecer isso e vai ficar de boa, mas eu sempre vou saber que esses defeitos não ficaram para trás e assim como acontece com os outros, ele pode me acertar novamente. Fico por não dar importância a nada disso, por mais uma vez relevar seus defeitos e manter-se solidária a quem nem sempre será solidária comigo.

Esvaziando um pouco a bagagem, deixando muito para trás.
Baterias carregadas pela mãe terra, mente aberta e cheia de paz
Fazendo escolhas duras, mas as vezes é assim que se faz...

Foi perdendo noção de tempo que ré-fiz o meu espaço
é quando a gente se desprender que nós amarramos ou soltamos os nosso laços!

Uma jornalista em crise

Mesmo sem canudo e DRT já me sinto em crise com a minha profissão, esta que independente de mim, já vive uma crise tremenda. Nunca imaginei recorrer ao lead para estruturar uma matérias, formular perguntas para um entrevista, trabalhar sem o tesão e questionar o caminho a seguir. Não, nunca abandonar a profissão, mas hoje já não sei se quero o impresso, se minha paixão é somente a televisão. Sinto falta do rádio, temo acabar em assessoria de comunicação.

Provei do bom e agora fechei os meus pensamentos, é como se só o que é relacionado à cultura fosse bom ou interessante. Tenho dificuldades para fazer o meu texto fluir, escrevo sobre vários temas ao mesmo tempo, já não tenho uma linha, um perfil de pensamento que me faça ter uma boa desenvoltura e ainda acho que se não é cultura, é perca de tempo. Sempre fui aberta a experiências e destemida quanto aos resultados, me espanto com esses bloqueios.

Enquanto estive na televisão, não tinha horário, faculdade ou qualquer coisa que afetasse meu desempenho, hoje conto no relógio o horário de largar. E não é um estágio ruim, gosto de esportes, do ambiente e da liberdade que tenho, não era para estar insatisfeita, não sei o que está acontecendo. Meus tempos de rádio, como sempre, rápidos. As duas vezes em que estive por lá foram de total satisfação o que me faz depositar esperanças na Rádio Frei Caneca, mas não posso depositar minhas energias em algo que não existe.

Quero equipamentos e órgãos culturais, quero poder fazer, respirar, propagar a cultura. Não tinha uma linha até pouco tempo atrás, mas intuitivamente, foi só sobre isso as minhas pessoais produções. Só que por outro lado, tenho a sensação que tudo pode ser fase, e que esse meu pensamento fechado me faça perder boas oportunidade em outras áreas. E como me falaram, tudo são experiências, vivências capazes de aumentar o meu repertório e contribuir para a minha bagagem. É por isso que me pergunto sobre qual caminho seguir, fechar ou abrir? Jogar tudo para o alto novamente? Mas até quando?