Dói às meninas a sua volta, essa falta de segurança... Já fiz tanto que acho que pode estar acontecendo o contrário agora, passei por cima de tanto que me sinto sendo pisada pelo fantasma da justiça. Dói a incerteza sobre o nosso futuro, temo que tudo isso acabe e que prevaleça o sentimento de erro, é tudo muito novo, mal te conheço e já faço mil planos, fingindo não vê os teus defeitos. É muita expectativa e pouco repertório, é um passado promíscuo e um presente tentador. Finjo não ligar para o que vejo, para confiar em você, mas recados e fotos me machucam a cada olhar, definitivamente, seu passado dói em mim!
Dói manter-se a disposição para ouvir, ajudar e quando procuro um ouvido ou um abraço estou sozinha em um quarto. Meu ombro amigo é um computador, as palavras de consolo que ouço, são os barulhos que o teclado faz enquanto digito, o abraço apertado é a música que ouço enquanto as lágrimas deságuam junto aos acordes. Dói saber que sou corajosa de travesseiro, quando deito digo que vou fazer e acontecer, mas quando acordo, continuo a mesma covarde que não consegue dizer não as pessoas e que faz de tudo para agradá-la. Ainda que grite mais que antes, as frases que solto não são metade da angústia que carrego há anos, a única evolução significativa que tive é que não tenho mais câimbras de tanto escrever, pois troquei o papel e a caneta por um computador. Só que tudo tem limite e hoje, me sinto cansada, cansada desse feedback que eu não permito me alcançar, cansada dessa falta de coragem, desse medo de dizer o que penso ou de dar saltos largos, é tudo sempre muito bem premeditado, cada palavra é pensada, treinada, ensaiada.
