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A solidão pode ser divertida se você souber aproveitá-la

Às vezes a gente se perde pela falta de um amor e pensa que tudo está errado, só que nem sempre somente o amor é capaz de colorir a vida. É certo que sua companhia torna os dias mais agitados, seu corpo e semblante muito mais animados, mas olhe a sua volta, o amor pode não estar, mas outras coisas estão. Flerte com o céu e converse com amigos, não olhe apenas o vazio, muita coisa pode passar enquanto você está no buraco. E mesmo que o vazio tome conta de você, fuja desse pensamento, grite, cante, dance. Ainda que haja rotina, cada dia é um dia, depois que eles passarem não queira olhar pra traz e saber que a maioria deles deixaram de ser emocionantes porque você estava sozinha. A solidão pode ser divertida se você souber aproveitá-la.

E mesmo que não existam pessoas a sua volta, você sempre terá a você, a música, a ilusória televisão, com tanta tecnologia, a nossa era deixou de ser a da solidão. Apesar de mais impessoais, não precisamos de muito para nos distrair. E distração não é prender-se a recordações ou amores despedaçados, faça coisas produtivas, leia livros, aprenda novas músicas, vá cansar o seu corpo e a sua mente ao invés de cansar o próprio coração se maltratando pela falta de uma paixão.

Não sei quem nos rege de fato, mas tudo pode acontecer independente de você se mover ou não. Quando for para você ser a tampa de uma panela, você será! Mas também quando não for não adianta forçar. Chorar, brigar não vai fazer mudar! Indignar-se é justificável, mas não cultive sentimentos de revolta, externe-os sem limites, mas também não vá se desesperar... Quando for a hora do amor ele vai entrar sem nem pedir licença, irá se acomodar na sua cama e por mais que você o derrube dela, ele não sairá. Só que tudo é fase nessa vida, se não há amor, essa fase chegará sem que você nem perceba, enquanto isso, flerte com a beleza da vida e torne divertida, essa sua solidão.

A não tão má, mídia

Já não sou tão fã do capitalismo e muito menos defensora da televisão, aí paira em minhas mãos o artigo “Ilusão de massa, o papel da mídia no esporte”. É pedir para, mais uma vez, que eu externe minha revolta sobre a alienação humana e as irritantes manipulações desse complô chamado comunicação de massa. É uma pena não poder me referir nominalmente ao autor, já que o artigo não é assinado. Talvez pelos árduos pensamentos - que até eu achei exagerados, mas vamos por partes.

Ao falar de esportes, não há mente que não pense logo em futebol e os meus recentes anos de idade, lembram-me logo de toda a dedicação que as emissoras de televisão depositam neste segmento. Levando para os pensamentos midiáticos, são vários os benefícios que as empresam obtém em cima do consumo, não conseguindo desassociar os fatores políticos, econômicos e sociais ligados a uma partida de futebol. Deixemos de olhar para o esporte como “desenvolvimento físico, competição e regras definidas”, pois, a partir do momento que descobriram a produtiva sociedade entre empresas de mídia e empresas de bens e serviços que o esporte passou a ser muito mais que isso.

Muito bem pontuado pelo autor, as mídias são atualmente as principais fontes de produção e transmissão de formas simbólicas e construção de sentidos no mundo de hoje. Com visões mais profundas, o autor tira a olhar ingênuo posto em cima de uma transmissão para dizer que a mídia não influencia apenas na exibição dos jogos, mas na produção, transformação e ressignificação do esporte como um todo. Fato que não irá se resumir apenas ao futebol, transformação, produção e ressignificação sempre foram características de bastante domínio da mídia.

As visões de esporte imposta pela mídia podem se resumir em quatro pontos principais: Melhoria econômica, mudança social, projeção de uma falsa realidade e mudanças éticas. A mídia aliena a sociedade ao dizer que o esporte pode ser a “salvação” para os menos favorecidos, onde eles poderão ser tornar grandes “fenômenos”, ficarem ricos e famosos, mesmo não tendo – em sua situação atual - uma chuteira para jogar. Estes três primeiros aspectos resumem-se a ilusão de que os garotos são príncipes, que um belo dia uma fada irá aparecer e realizar todos os seus sonhos. Eu enquanto jornalista, defendo as reportagem de superação e defendendo a classe, digo que é do exercício do jornalismo noticiar fatos, por isso, se o repórter faz uma matéria contando a história de Ronaldinho gaúcho é porque é de interesse social saber de onde ele veio e quem ele é. E se existe o boato de que em toda partida de futebol há um “olheiro” a fim de lhe contratar não foram invenções da mídia e sim política de clubes para captar novos talentos. A mídia tem um controle sobre o consumo social, mas eles sempre partem da realidade, daquilo que é verdade.
Mas a mesma mídia que defende o real e não conta histórias de contos de fadas, cria uma projeção de “falsa” realidade, não vou negar. A necessidade de consumo que se criou em cima da televisão fez com que a nossa cultura fosse influenciada por ela, mais ainda, quando se trata de pessoas com pouco discernimento para fundamentar uma opinião sobre o que consumir. São pessoas que ditam suas escolhas a partir do que a televisão diz e por isso acabam vivendo uma realidade que não é a sua. Exemplo claro são pessoas que dependem do sinal de parabólica para assistirem televisão, que por não terem sinal local se tornam tricolor paulista, sem nunca ter pisado em São Paulo. Muitas vezes, se escondem no sertão do nordeste mas sabe todos os nomes de atores da globo e torce pro Internacional.

Essa falsa realidade é sim um das “ilusões de massa”, mas pior que ela são as mudanças éticas e o consumo capitalista que o futebol proporcionou. O conjunto de benefícios ambiciosos que se criou em cima do exercício do esporte é uma das principais razões da mídia ser vista como manipuladora. Pois a mídia exibe os jogadores, criando a imagem de sucesso, tornando-o um modelo, um exemplo a ser seguido pela sociedade – o que não deixa de ser verdade, apesar de, às vezes a mídia precipitar-se na hora de definir o status de um jogador. Os patrocinadores se utilizam desta imagem de sucesso para gerar o consumo de seus produtos na sociedade, onde a marca e nome de um artista são motivo de aumento nas vendas. “Aparentemente, todos lucram, todos ficam satisfeitos. A ética esportiva alterou-se do ideal de que “o importante é competir”. Transformou-se em um novo ideal em que ‘tão importante quanto vencer é ser conhecido, ser famoso, aparecer e lucrar’”.

O que acontece é que “a televisão multiplicou a plateia de milhares, para criar uma audiência e o mercado de milhões”. O que fez com que os capitalistas enxergassem o futebol como algo lucrativo. A mídia, por ser o meio mais viável em comunicação para muitos, tornou-se peça fundamental nesse negócio. Como no Brasil as emissoras são na verdade empresas de comunicação, o capital acaba falando mais alto que o social. Só não é justo que a mídia leve toda a culpa, quando na verdade o interesse econômico é quem gere toda essa manipulação. E por mais que as reportagens sejam “encomendas pagas” como o autor trata, o telejornalismo promove sim a objetividade, por enxergar o futebol como algo de interesse social. Tem a impressão que o autor não se trata de um jornalista, talvez se fosse, saberia que existe uma grande diferença entre uma transmissão de um jogo e uma matéria no jornal. Se as partidas se adaptam aos horários da mídia, foi porque as federações assim quiseram e se nós jornalistas exploram a imagem dos jogadores é porque o povo quer. Cabe ao povo escolher e entender a exploração que é feita em cima do seu consumo.

Abril Diferente

Diferente, essa é a palavra que melhor define o 19º Festival Abril pro Rock, mas não é a diferença que sempre caracterizou o festival, famoso pela oportunidade de descobrir novas bandas. A edição de 2011 se resumiu apenas, a mais um festival de música - muito bom por sinal, mas sem grandes emoções. Com o palco do Chevrollet Hall dividido ao meio, as bandas foram bastante pontuais, sem intervalos longos e religiosos cinquenta minutos de apresentação.

Prejudicados um pouco pelo horário, as bandas Feiticeiro Julião (vencedora do concurso Bis pro Rock) e Mamelungos, foram respectivamente, as primeiras a se apresentarem. Em shows marcados pela criatividade e inovação tão peculiar dos pernambucanos. As bandas começaram a atrair, o ainda reduzido e disperso público que chegou cedo ao festival. Já aquecidos, o público recebeu a banda paulista Holger, com seu rock famoso no underground brasileiro que para descontrair, finalizaram o show com um funk. A norte-americana Chicha Libre, prendeu a atenção do público que dançou conhecendo ou não o repertório, deixando apenas a desejar, um pouco mais de percussão em suas melodias.

Tulipa Ruiz, se mostrou a banda revelação da noite, todos estavam ansiosos para vê e ouvir de perto aquela que foi a sensação musical do ano de 2010. A ansiedade foi tanta, que anunciaram em seu lugar, a cantora Karina Buhr. O que não desconcertou Tulipa, que ao subir no palco, cantou o começo de “Eu sou, uma pessoa má, eu menti, para você”. Arrancando risos do público, deu início ao seu playlist, cantando a faixa título do seu álbum “Efêmera”, aliás, playlist este, que acabou sendo arremessado para o público durante o show. Quem ainda dividiu o palco com a cantora, em uma sintonia perfeita, foi o músico Marcelo Jeneci. Tulipa, além da missão de fazer o show, que por sinal, soou perfeito e muito bem ensaiado, foi repórter especial da MTV. Muito a vontade, mostrou satisfação em estar na cidade e declarou ser uma realização tocar no Abril pro Rock. Assumindo falar muito, tulipa contou que no tempo que estudava, conheceu um pernambucano que lhe presenteou com uma camisa do festival, na época, sentia-se orgulhosa e “descolada” em usá-la. E que hoje, ficava feliz em estar ali e poder reconhecer seu público, tão comunicativo nos sites de relacionamento.

O mesmo coro que não errou letra sequer no show de Tulipa Ruiz, não tirou os olhos da hiperativa Karina Buhr, o que deixou uma reflexão da semelhança de público para sons tão distintos. Atriz por formação, Karina mostrou sua presença de palco de uma forma bastante encenada e criativa, interagindo até com o fio do microfone e o pedestal, correndo enlouquecidamente por todo o palco e se jogando pelo chão. Além do seu espírito transgressor, Karina chamou toda atenção com seu macacão paetê e os célebres músicos que trás consigo nessa turnê do álbum “Eu menti para você”. Muito bem acompanhada, Karina tocou ao lado de Catatau, Guizado e Edgard Scandurra. Edgard, que ainda teve pique para tocar com Arnaldo Antunes, onde dessa vez, quem enlouqueceu foi o público que não largou o gradeado para ficar o mais próximo possível do cantor. Percebendo a receptividade do público, Arnaldo se juntou a eles, descendo do palco e cantando com os fãs. Quem fez dueto com ele também, foi o músico Ortinho, cantando “envelhecer” e afirmando a estreita amizade que se aparenta existir entre os dois músicos.

A banda Eddie voltou ao palco depois de 12 anos, com um show tradicional e envolvente. Que teve início com o hit “Quando a maré encher” na tentativa de instigar a comportada plateia. Apesar de tímida, o público dançou todo o repertório, um tanto clássico da banda, que conseguiu reunir a “família eddie”. Levando ao palco Rogerman, o Mestre Erasto Vasconcelos - que não podia deixar de cantar Maranguape e Guia de Olinda. Karina Buhr trouxe certa nostalgia ao lembrar os tempos que havia uma voz feminina, sempre presente na banda. E claro, não podia faltar o velho frevo para “fazer o final” da festa. Encerrando a noite com classe, subiu ao palco a banda mais aguardada, Skatalites. Os pais do ska reuniram todos os presentes que não perderam a oportunidade de vê a talvez única apresentação dos Jamaicanos por aqui. A vontade foi tanta, que até os que não conheciam assistiram de longe a apresentação.

Com satisfação e aquele sentimento de quarta feira de cinzas, o grande final de semana do tradicional Abril pro Rock, que até a sempre presente chuva não deixou de aparecer, se despediu com a expectativa de superação para o ano que vem. Ou talvez, assim como o seu público, um tanto diferente daquilo que nós conhecíamos, o Abril pro rock firme-se com essa nova roupagem, de pessoas comportadas e sem grandes multidões. Deixando a cargo do Rec-beat e do Coquetel Molotov o papel de revelar bandas, se tornando um festival “antenado” com as produções nacionais e a única oportunidade de trazer para o nordeste grandes nomes do cenário internacional.

Dear Mr. President

Manipulação 9/11

Manipulação, não há outra palavra melhor para definir o comportamento de George W. Bush depois que assistimos Fahrenheit 9/11. Independe do sentimento de perca do seu amigo, da sua profissão e do seu patriotismo, Michel Moore precisava documentar a audácia do presidente Bush. Após ter criticado Roger Smith, presidente da General Motors no filme Roger & Me, ter denunciado o trabalho infantil da Nike em The Big one, quem é George W. Bush para escapar das críticas do cineasta, documentarista e escritor americano? Fahrenheit 9/11 talvez seja exagerado, até manipulador, para que seja criada uma aversão ao Presidente Bush, porém, mais manipulador do que o comportamento do presidente, não há.

Sei que não há nenhum manual ensinando como ser presidente, tenho total noção de que eu não saberia administrar um país, mas tenho o bom senso de que se eu recebo a informação dizendo “Bin Laden determinado a atacar o país” e depois de um tempo ser informado que “ o País está sobre ataque” eu com certeza não iria ler “My pet goat” para as criancinhas em uma escola da Flórida. E foi exatamente esse o comportamento de Bush, e foi essa sua atitude ‘blasê’ que deu margem para a justificativa de manipulação. É como se ele soubesse tudo que ia acontecer e fosse apenas o ‘laranja’ de todo um esquema político saudita. É muito estreita a relação da família Bush e o povo do Oriente Médio, são muitas ligações muito bem detalhadas e justificadas no documentário, o que nos deixa duas vezes admirados - uma pela competência de Michel Moore em argumentar muito bem as suas denúncias e segundo pela capacidade do Presidente de uma das maiores potências do mundo em fazer as coisas que fez.

Fahrenheit 9/11 revela os bastidores de tudo que foi escondido pela imagem de que, Bush estava honrando os estragos feitos pelo ataque ao maior centro financeiro e militar dos Estados Unidos. Com o argumento que buscava os foragidos da Al-Queda e Osama Bin Laden causando terror em cidades já não muito estruturadas e civilizadas do Oriente Médio. Com esse “patriotismo” Bush tomou conta do Gasoduto Afegão, provocou uma verdade Guerra ao Iraque e ainda não satisfeito declarou guerra ao seu próprio povo quando instalou o terro nos Estados Unidos com argumentos sem fundamentos de Armas Nucleares e terrorismo.

Através de depoimentos estrategicamente muito bem selecionados, Michel Moore denuncia o poder do povo saudita em solo americano, onde mesmo que você não tenha nenhuma afeição com a sociedade americana você irá se revoltar. O documentário trás dados que chegam a justificar o comportamento das autoridades diante do Ataque ao World Trade Center e a atitude de retirar todos os Sauditas do país, como se fossem naturalmente Norte-Americanos. Claro, “eles são donos de boa parte da América”, nós não saberíamos disso nunca, se não houvesse uma pessoa como Michel Moore que - talvez inspirado em uma dor particular - soube muito bem desdenhar um homem que durante anos não se preocupou com as mortes e a dor das famílias que sofreram em nome de uma ambição egoísta e manipuladora.

Um detalhe do documentário é a maneira como ele foi montado - talvez seja mais pelo choque que as informações causam – Mas ele não se torna cansativo, considerado extenso para a duração da maioria dos filmes, a admiração com os absurdos são tantas, que não dá para cansar. E aos adeptos de uma música mais independente, a trilha incidental causa certo conforto, um interesse maior. E ainda aos interessados, a admiração por Michel Moore aumenta quando a gente sabe que ele já trabalhou produzindo clips para o Rage Again the Machine e Systen Of a down.

Uma informação que poderia ser facilmente descartada torna o documentário ainda mais interessante, quando Michel Moore mostra as consequências da guerra ele narra algo que só quem serviu as forças armadas e sobreviveu poderia nos dizer. Existe o hábito que durante os ataques os soldados ouvirem músicas pelos fones de comunicação, só que não é qualquer música, são músicas que aguçam a vontade de matar dos soldados. No documentário não dá para entender a letra (principalmente se o seu inglês não for muito bom), mas se você parar para escutar elas irão soar como mantra na sua cabeça: “Let the bodies hit the floor” ou “Burn motherfucker, burn”. É como se tudo fosse um jogo de vídeo game, como se tudo não passasse de um “GTA” do mundo real.

Fahrenheit 9/11 é um documentário para todos assistirem, mesmo sabendo que não irá lhe influenciar diretamente, mas que com certeza irá despertar em você uma reflexão. Sobre como um homem foi capaz de governar um país para si mesmo, sem perceber que se tratava de uma democracia onde a função de todo presidente é trazer o bem para a sua nação e não manipular a todos para satisfazer estrangeiros. E após assistir o documentário você concordará com uma música que Pink gravou “Dear Mr. Presidente” quando ela pergunta a George W Bush como ele consegue dormir quando o resto do mundo morrer, ou como ele dorme sabendo que uma mãe não teve a chance de se despedir do seu filho.