Aeso promove palestra sobre Vídeorreportagem
A videorreportagem apesar de ser um segmento jornalístico é bastante utilizada em campanhas publicitárias e tem sido vista como um segmento promissor dentro do mercado de comunicação. Os alunos receberam dicas e conheceram alguns equipamentos bastante utilizados, se situaram sobre as suas características e as possibilidades de mercado. “Um vídeorrepórter é um cara antenado em tecnologia e independente, é um cara meio ‘bombril’” exemplificou Fábio. A partir dos trabalhos dele, abriu o pensamento dos alunos sobre as várias oportunidades que a videorreportagem pode oferecer ao profissional, trouxe algumas curiosidades que o envolveram dentro da videorreportagem “Comecei como vídeorrepórter, a vida me levou a publicidade”
Morador de São Paulo, Fábio diz que veio ao Recife “Puxar a corrente” da vídeorreportagem, técnica que existe a mais de 20 anos, e é vista como atrasada aqui no estado. “A videorreportagem dá os seus primeiros passos agora, o Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio é quem tem trabalhado um pouco em cima, mas pede às universidades que preparem profissionais para fortalecer esse mercado”. Pensando nessa capacitação que Fábio trás ao Recife, o Workshop “Vídeo Repórter – A câmera” são cinco dias de aula, onde os alunos aprenderão a teoria, técnica e prática de um vídeorepórter “O pessoal do Senac de são Paulo me convidou para dar as aulas, e eu fui a ponte para trazer o curso aqui pra recife”.
Um Publicitário que não permite chamar-se escritor
“Sou um publicitário, um publicitário que tem uma vida política, uma formação política e histórica, que fez um curso de direito”. É assim que se define José Nivaldo Jr, deixando de lado as honras de ser autor de um best-seller e sua segunda obra ter vendido mais de 300 cópias apenas no lançamento. “Eu não sou escritor, escritor é aquele que amanhece, anoitece, pensando em escrever, meu pai é um escritor, eu sei escrever”. Autor de” Maquiavel, O Poder - história do Marketing, José Nivaldo Jr lançou em Julho deste ano o “Atestado da donzela 2, Paixão Fuxico e mistério” obra esta inspirada em um romance escrito pelo seu pai, em 1967. “Depois que escrevi Maquiavel, não quis fazer outro para concorrer com ele, aí este ano eu tive a ideia de escrever um romance, que seria a continuação de uma obra do meu pai. Eu sempre achei que o livro dele tinha um potencial dramático que não se esgotou, com ações e histórias que poderiam ser desdobrados. Aproveitei o período de entressafra, quando termina as campanhas eleitorais, para escrever. Praticamente escrevi um capitulo em dois dias, mas ainda tem muita coisa pra revisar”.
Além da leitura, o forró e Pernambuco são outras paixões suas, “Eu sou apaixonado pelo forró, gosto muito do frevo também, sou marcado pelas coisas de Pernambuco. Em alguns momentos a minha carreira teve destaque nacional, mas eu nunca deixei de morar em Pernambuco, nunca cogitei me mudar daqui, Pernambuco é a minha paixão”. Fato bastante presente no seu livro, O atestado da donzela é resultado das vivências deste publicitário que não se permite chamar-se escritor. “O livro tem muito de mim, mas não é autobiográfico, tem muito da minha vida, do meu viver”. Mesmo se tratando de uma ficção, os elementos presente no livro são o produto de significações pessoais, resultado daquilo que compõe a vida de José Nivaldo Jr: a forte ligação com seu pai, a linguagem pernambucana, os personagens - muitas vezes reais e natural de Surubim, cidade do interior do estado. “Então eu juntei essa receita e tentei fazer um livro que junte mistérios, humor, história de uma forma leve e agradável, para que as pessoas leiam e aprendam um pouco mais sobre vida, eu acho que o livro deixa uma mensagem”.
“Eu sou redator, um redator publicitário redige qualquer negócio, anúncio não tem estilo, ao longo da minha carreira eu explorei todas as veias da publicidade, possíveis e imagináveis. De anúncios institucionais a ‘Mané da china’”. São 35 anos de carreira, dois livros totalmente distintos tanto entre si, quanto sobre seu autor. Publicitário, pai e escritor, José Nivaldo Jr deixa a literatura um filho maduro - Maquiavel, O Poder - e agora trás um caçula para deleite nosso – O Atestado da Donzela 2. “As pessoas que tem conseguido ler, tem gostado”.
A não tão má, mídia
Já não sou tão fã do capitalismo e muito menos defensora da televisão, aí paira em minhas mãos o artigo “Ilusão de massa, o papel da mídia no esporte”. É pedir para, mais uma vez, que eu externe minha revolta sobre a alienação humana e as irritantes manipulações desse complô chamado comunicação de massa. É uma pena não poder me referir nominalmente ao autor, já que o artigo não é assinado. Talvez pelos árduos pensamentos - que até eu achei exagerados, mas vamos por partes.
Ao falar de esportes, não há mente que não pense logo em futebol e os meus recentes anos de idade, lembram-me logo de toda a dedicação que as emissoras de televisão depositam neste segmento. Levando para os pensamentos midiáticos, são vários os benefícios que as empresam obtém em cima do consumo, não conseguindo desassociar os fatores políticos, econômicos e sociais ligados a uma partida de futebol. Deixemos de olhar para o esporte como “desenvolvimento físico, competição e regras definidas”, pois, a partir do momento que descobriram a produtiva sociedade entre empresas de mídia e empresas de bens e serviços que o esporte passou a ser muito mais que isso.
Muito bem pontuado pelo autor, as mídias são atualmente as principais fontes de produção e transmissão de formas simbólicas e construção de sentidos no mundo de hoje. Com visões mais profundas, o autor tira a olhar ingênuo posto em cima de uma transmissão para dizer que a mídia não influencia apenas na exibição dos jogos, mas na produção, transformação e ressignificação do esporte como um todo. Fato que não irá se resumir apenas ao futebol, transformação, produção e ressignificação sempre foram características de bastante domínio da mídia.
Essa falsa realidade é sim um das “ilusões de massa”, mas pior que ela são as mudanças éticas e o consumo capitalista que o futebol proporcionou. O conjunto de benefícios ambiciosos que se criou em cima do exercício do esporte é uma das principais razões da mídia ser vista como manipuladora. Pois a mídia exibe os jogadores, criando a imagem de sucesso, tornando-o um modelo, um exemplo a ser seguido pela sociedade – o que não deixa de ser verdade, apesar de, às vezes a mídia precipitar-se na hora de definir o status de um jogador. Os patrocinadores se utilizam desta imagem de sucesso para gerar o consumo de seus produtos na sociedade, onde a marca e nome de um artista são motivo de aumento nas vendas. “Aparentemente, todos lucram, todos ficam satisfeitos. A ética esportiva alterou-se do ideal de que “o importante é competir”. Transformou-se em um novo ideal em que ‘tão importante quanto vencer é ser conhecido, ser famoso, aparecer e lucrar’”.
O que acontece é que “a televisão multiplicou a plateia de milhares, para criar uma audiência e o mercado de milhões”. O que fez com que os capitalistas enxergassem o futebol como algo lucrativo. A mídia, por ser o meio mais viável em comunicação para muitos, tornou-se peça fundamental nesse negócio. Como no Brasil as emissoras são na verdade empresas de comunicação, o capital acaba falando mais alto que o social. Só não é justo que a mídia leve toda a culpa, quando na verdade o interesse econômico é quem gere toda essa manipulação. E por mais que as reportagens sejam “encomendas pagas” como o autor trata, o telejornalismo promove sim a objetividade, por enxergar o futebol como algo de interesse social. Tem a impressão que o autor não se trata de um jornalista, talvez se fosse, saberia que existe uma grande diferença entre uma transmissão de um jogo e uma matéria no jornal. Se as partidas se adaptam aos horários da mídia, foi porque as federações assim quiseram e se nós jornalistas exploram a imagem dos jogadores é porque o povo quer. Cabe ao povo escolher e entender a exploração que é feita em cima do seu consumo.
O Marco Zero no meio da estrada
Do Zero é mais do que um ponto de partida para Clayton Barros, ele que agora atende pela alcunha de Clayton Barros e Os Sertões. Trás em seu novo single “Do Zero” toda a simbologia de uma nova estrada que apesar dos seus 10 anos de carreira com o Cordel, se depara com novas propostas e formatos. A música “Do Zero” é o carro-chefe do novo caminho trilhado pelo compositor: atemporal, metropolitana e fortemente ligada às raízes nordestinas. Do zero tem influências indianas e mouras e, com apenas dois acordes e uma letra um tanto “futurista”, concebe uma harmonia mântrica bastante própria. “Do zero é uma auto-injeção de ânimo, é um estímulo para construir um novo ciclo, sem reduzir a velocidade”, explica Clayton.
A banda é recente, mas a união dos experientes músicos da cena recifense que formam esse projeto não deixa dúvidas quanto à química que rola da concepção à apresentação das músicas. Além de Clayton Barros, compõem o conjunto Deco Trombone, que traz a bagagem da Ska Maria Pastora, Rafael Duarte e o experimentalismo da Rivotrill e Perna, com a surf music da Radistae. Juntos, estão em fase de finalização do disco que, de antemão, contará com composições sólidas, repletas de arranjos criativos, além das interpretações de Galope rasante, de Zé Ramalho e Wheels, de Les Baxter, grandes influências do trabalho da banda.
Mesmo sem o CD lançado, Os Sertões já vêm se apresentando desde ano passado. Este ano a banda realizou uma minitour por Juazeiro do Norte, no sertão do Cariri, e em Sousa, na Paraíba, como parte das atrações do 5° Festival Rock Cordel. No último mês, foi feita uma minitour por São Paulo para divulgação do Projeto, onde se apresentaram em Sorocaba, Osasco, Campinas e Bauru. Este mês a banda se apresenta dia 23 de Junho no São João de Arcoverde e dia 07 de Julho no Centro Cultural de São Paulo.
Consuma: http://www.myspace.com/ossertoesoficial
Abril Diferente
Diferente, essa é a palavra que melhor define o 19º Festival Abril pro Rock, mas não é a diferença que sempre caracterizou o festival, famoso pela oportunidade de descobrir novas bandas. A edição de 2011 se resumiu apenas, a mais um festival de música - muito bom por sinal, mas sem grandes emoções. Com o palco do Chevrollet Hall dividido ao meio, as bandas foram bastante pontuais, sem intervalos longos e religiosos cinquenta minutos de apresentação.
Prejudicados um pouco pelo horário, as bandas Feiticeiro Julião (vencedora do concurso Bis pro Rock) e Mamelungos, foram respectivamente, as primeiras a se apresentarem. Em shows marcados pela criatividade e inovação tão peculiar dos pernambucanos. As bandas começaram a atrair, o ainda reduzido e disperso público que chegou cedo ao festival. Já aquecidos, o público recebeu a banda paulista Holger, com seu rock famoso no underground brasileiro que para descontrair, finalizaram o show com um funk. A norte-americana Chicha Libre, prendeu a atenção do público que dançou conhecendo ou não o repertório, deixando apenas a desejar, um pouco mais de percussão em suas melodias.
Tulipa Ruiz, se mostrou a banda revelação da noite, todos estavam ansiosos para vê e ouvir de perto aquela que foi a sensação musical do ano de 2010. A ansiedade foi tanta, que anunciaram em seu lugar, a cantora Karina Buhr. O que não desconcertou Tulipa, que ao subir no palco, cantou o começo de “Eu sou, uma pessoa má, eu menti, para você”. Arrancando risos do público, deu início ao seu playlist, cantando a faixa título do seu álbum “Efêmera”, aliás, playlist este, que acabou sendo arremessado para o público durante o show. Quem ainda dividiu o palco com a cantora, em uma sintonia perfeita, foi o músico Marcelo Jeneci. Tulipa, além da missão de fazer o show, que por sinal, soou perfeito e muito bem ensaiado, foi repórter especial da MTV. Muito a vontade, mostrou satisfação em estar na cidade e declarou ser uma realização tocar no Abril pro Rock. Assumindo falar muito, tulipa contou que no tempo que estudava, conheceu um pernambucano que lhe presenteou com uma camisa do festival, na época, sentia-se orgulhosa e “descolada” em usá-la. E que hoje, ficava feliz em estar ali e poder reconhecer seu público, tão comunicativo nos sites de relacionamento.
O mesmo coro que não errou letra sequer no show de Tulipa Ruiz, não tirou os olhos da hiperativa Karina Buhr, o que deixou uma reflexão da semelhança de público para sons tão distintos. Atriz por formação, Karina mostrou sua presença de palco de uma forma bastante encenada e criativa, interagindo até com o fio do microfone e o pedestal, correndo enlouquecidamente por todo o palco e se jogando pelo chão. Além do seu espírito transgressor, Karina chamou toda atenção com seu macacão paetê e os célebres músicos que trás consigo nessa turnê do álbum “Eu menti para você”. Muito bem acompanhada, Karina tocou ao lado de Catatau, Guizado e Edgard Scandurra. Edgard, que ainda teve pique para tocar com Arnaldo Antunes, onde dessa vez, quem enlouqueceu foi o público que não largou o gradeado para ficar o mais próximo possível do cantor. Percebendo a receptividade do público, Arnaldo se juntou a eles, descendo do palco e cantando com os fãs. Quem fez dueto com ele também, foi o músico Ortinho, cantando “envelhecer” e afirmando a estreita amizade que se aparenta existir entre os dois músicos.
A banda Eddie voltou ao palco depois de 12 anos, com um show tradicional e envolvente. Que teve início com o hit “Quando a maré encher” na tentativa de instigar a comportada plateia. Apesar de tímida, o público dançou todo o repertório, um tanto clássico da banda, que conseguiu reunir a “família eddie”. Levando ao palco Rogerman, o Mestre Erasto Vasconcelos - que não podia deixar de cantar Maranguape e Guia de Olinda. Karina Buhr trouxe certa nostalgia ao lembrar os tempos que havia uma voz feminina, sempre presente na banda. E claro, não podia faltar o velho frevo para “fazer o final” da festa. Encerrando a noite com classe, subiu ao palco a banda mais aguardada, Skatalites. Os pais do ska reuniram todos os presentes que não perderam a oportunidade de vê a talvez única apresentação dos Jamaicanos por aqui. A vontade foi tanta, que até os que não conheciam assistiram de longe a apresentação.
Com satisfação e aquele sentimento de quarta feira de cinzas, o grande final de semana do tradicional Abril pro Rock, que até a sempre presente chuva não deixou de aparecer, se despediu com a expectativa de superação para o ano que vem. Ou talvez, assim como o seu público, um tanto diferente daquilo que nós conhecíamos, o Abril pro rock firme-se com essa nova roupagem, de pessoas comportadas e sem grandes multidões. Deixando a cargo do Rec-beat e do Coquetel Molotov o papel de revelar bandas, se tornando um festival “antenado” com as produções nacionais e a única oportunidade de trazer para o nordeste grandes nomes do cenário internacional.