Eu vou cantar pra saudade

Acho que não sou a única a sentir saudades por aqui, ninguém com outro sentimento, me ligaria em pleno meio da semana, durante a madrugada para saber como estou se não estivesse sentindo saudades. Com uma voz doce, desconfiado por ter me acordado, não quis falar muito, para que eu não despertasse. Sabia que eu estava dormindo, mas a vontade de falar era maior. Sentir como se estivesse sufocado, no meio de confusões e viu em mim, a chance de se desprender por alguns instantes.

Ainda bem que, mesmo dormindo, lembrei tudo isto antes de reclamar por ter esquecido o meu aniversário ou por ter sumido. Mas eu sabia que você sabia do meu dia e sou eu que não tenho respondido as suas mensagens. Prometi que não ia mais te procurar, preciso esquecer tudo isso antes de estragar mais uma estória por não resistir a você. Me pego pensando, não posso negar, mas aceitei em terminar. “É mais fácil começar uma nova estória do que concertar uma antiga” – já ouviu isso? Nunca acreditei tanto nisso como agora. Prova disso foi expor a gente para quem poderia morrer sem saber, mas contar me ajuda a me distanciar. Depositar em outro os meus pensamentos, faz com que, no meu repertório, você fique para trás. Penso em um dia jogar tudo para o alto e colocar em prática tudo que sempre quisemos -só que na mesma hora volto atrás e penso que não vale a pena. Tivemos o tempo da gente e você as suas chances, nada se consolidou, então porque agora? Pra quê arriscar? Prefiro deixar pra lá, direcionar as minhas energias, pedindo a cada dia, que você evite aportar minha mente.

Eu não entendo


Introdução

Por acreditar serem as primeiras frases de uma história, se inicia esta narração, começo sem um era uma vez, até porque, vezes tivemos muitas e nada aconteceu.
   
Era natal, a falta do que fazer e o tédio de estar em uma cidade que nada de emocionante acontece, fomos atrás do “natal da pegação”. Achava pitoresco uma festa que trazia sagrado e profano em seu nome. Por se tratar de um lugar chamado chaminé festas, fui até a estação – logicamente a festa deveria ser lá, mas não. Quando vi uma certa movimentação, achei ter chegado na tal festa, só que não, era rock e maracatu, fiquei feliz, pessoas conhecidas e música boa. E ali no meio, só podia estar ele, o bonitão. Aquele que sempre, desde que o vi pela primeira vez, sempre pregou a minha visão – e olhe que se fosse no sentido literal da expressão, aja cola para prender tantas vezes a minha rodada visão.

Não sei o que ele tem demais para me chamar a atenção, é normal para os meninos que conheço, sempre presente e ao meu alcance, talvez fosse transcendental ou sinal, o fato é que, mesmo sem uma razão óbvia, ele sempre se destacou ao vários da região. O mais próximo de uma razão seria ser o único que nunca “pagou pau” dali, mas isso não justifica tal atração, não sou tão vaidosa assim. Então, no meios do batuques, ele estava lá, mais uma vez, sem me dá atenção e eu de longe, só observando, sem forçar nenhuma situação. Ele, “muito doido” olhava, olhava mas não fazia nada – comecei a pensar que não me reconhecera, foi tanto tempo distante, sem cabelos vermelhos e roupas “diferentes”, que sempre penso que me olham como outra pessoa. Após muitas olhadas e depois de ter falado com todos,  o bonitão chega em mim, não me recordo o papo, só lembro da minha falta de educação em deixar o meu primo de lado para ouvir o que ele tinha para me dizer. Direto, deu logo sinal que queria algo ao perguntar se estava namorando e quando voltava. Posso ter “pesado” depois, mas no dia do boi de natal, carnaval e redenção, foi ele que deu sinal do que queria.

Eu, dei todos os sinais, mas estava indo embora no outro dia e não ia ser mais mal educada que já havia sido com o meu primo, então, deixei o bonitão e foquei no maracatu. Lógico que ao chegar em casa, recorri ao viciante amigo facebook para estabelecer diálogos com o bonitão.

Contrato de contradição

Sei da minha eterna contradição, sei da minha fácil adaptação, mas assim como sei de tudo aquilo que já passei, sei do quanto me sinto disposta a viver com você. Por muito tempo eu tive repúdio a esse papo de casamento, mas essa distância e a agunia que dá querer te tocar e não poder, me dá vontade de morar com você. Quem casa, que casa, já diz o ditado, no meu caso é quero casa com você. Todo dia sonho em voltar pra casa e te encontrar, poder deitar mais uma vez no teu colo e poder conversar com a única pessoa que realmente tem me dado atenção.

São só 21 dias, sei disso também, mas é como se já te conhecesse e por mais ilusório que seja, é como se você não fosse capaz de me machucar. Queria que os dias voassem, que terminasse tudo aqui para poder ficar mais perto de você e ter a certeza de que nada disso é em vão. Poder dizer que de onde menos se esperava, saiu aquele que conseguiu me livrar dos amores doentis, do egoísmo e individualismo constante que vivi. Sempre que penso em você, tenho vontade de te pegar no colo feito criança, proteger como mãe protege um filho, não queria que te faltasse nada, das coisas mais abstratas até as mais materiais eu queria poder te dar, só para retribuir o bem que você me faz.

Sei que daqui há alguns meses posso ler isso novamente e dizer que nada disso foi verdade, posso estar assinando o meu atestado de contradição, mas hoje, falo com todas as palavras que não te trocaria por ninguém. Não vivemos o suficiente para ter essa certeza, pode ser encanto de começo, pode ser muita coisa ruim, mas também pode ser as primeiras frases de uma longa história.