Coajuvante

Parece que o meu lugar se tornou o epicentro de todos os terremotos. “Envelheci, dez anos ou mais nesse último mês” sempre me identifiquei com essa frase, mas a cada momento que me deparo com ela, dou conta que envelheço muito mais. Sem desejar, acabo precisando ser cada vez mais madura, me pergunto se tudo isso não é cedo. Ora, vi tudo desmoronar e por hora vejo a minha história ser vivida por quem eu nunca imaginei que seria.

Sendo mais inesperado do que a própria palavra pode ser. É quando o indestrutível passa a ser destruído, quando seu porto seguro passa a precisar de segurança, quando você se torna a única bandeira de paz no meio de uma terceira guerra mundial. E no meio disso você ainda passa a refletir sobre tudo aquilo que você pensava ter opinião formada, quando você deixa de ser você por causa dos problemas dos outros. Mas às vezes não é o seu ser, esse ainda está ali, totalmente envolvido pelo outro ser, mas quando começa a perceber que até os alicerces mais fortes desmoronam e por isso, rever seus conceitos. Não importa a quantidade de gesso que tenha, se amanhã for para cair, tudo irá cair. E ao sentir essa fragilidade, cada passo seu se torna mais reflexivo.

Ainda há muito que aprender, não estou nem na metade (da metade) dessa história, mas a cada curva, levo algo para mim. Tenho medo de envelhecer antes do tempo, de estar esquecendo algo ou de estar sobrecarregando a mente. Mas também não tenho onde encontrar respostas, Sigo abismada com a fragilidade das vidas, presa em pensamentos que me deixam cada vez mais introspectiva, calculando cada passo para não perder o meu caminho. E percebendo que muito gente não se dá conta dos grãos de areia que são perdidos de forma (muitas vezes) banal nessa enorme ampulheta que é a vida.

Mr. Boombastic

Shaggy, se fosse hoje, não escutaria, não que eu tenha escutado consciente há alguns muitos anos atrás. Mas cê sabe quando você escuta uma música e lembra de algo que já passou, que nem a sua mente consegue formar as cenas novamente de tanto tempo que faz. Isso acontece com Mr. Boombastic, não acho que meu irmão tenha sido fã do Shaggy, mas seu tempo nas paradas da MTV fez com que ele escutasse muito essa música. E por algum razão, ela consegue fazer parte da minha velha infância.





Estrada e Caminho

Quando a gente segue um caminho, a uma certa velocidade, qualquer buraco ou desaceleração necessária, incomoda o motorista. Principalmente quando essa estrada é bucólica e agradável, onde seu percurso pode ser gratificante, Não tem motorista que queria parar ou dar carona a alguém. Ainda mais quando o motorista gosta de viajar, se sente bem com a estrada e precisa desligar-se do asfalto da cidade.

A estrada é longa e repleta de viajantes, é preciso manter-se atento ao percurso para não perder o foco. Mas os viajantes naquele momento não importavam, a sintonia era perfeita entre o motorista e o seu caminho, o impacto foi tão imperceptível que o motorista nem percebeu que havia pegado esse caminho. Ele andava em uma estrada velha, cheia de buracos irreparáveis, que por acreditar ainda ser transitável, insistia em caminhar. Mas ainda concentrado nessa estrada velha, ele pegou este outro caminho. Era uma estrada há muito construída, mas em perfeito estado de conservação, que já enfrentou enchentes e vendavais, mas soube tirar um bom proveito de tudo isso. Suas árvores grandes e robustas davam uma sensação de conforto, a paisagem ajudava a embelezar, o asfalto parecia conhecer todas as trilhas que o motorista havia passado, mostrando sabedoria suficiente para fazê-lo manter-se firme.

Por esse caminho o motorista passou a seguir, a estrada velha já não era lembrada, mas algumas placas traziam recordações de um viajante deixado para trás, mas o motorista não ligava para as placas, o caminho parecia bem mais interessante. Conversando com a flora o motorista percebia que tanta maturidade vinha de erros passados, de quem já ganhou e perdeu muito por causa de seus comportamentos. Aprendeu que a melhor forma de evoluir parte do desapego, que a energia não vem dos bens materiais e sim daquilo que cultivamos. É um caminho que põe música e educação a frente de tudo, de quem acredita que estes são a chave para a nossa evolução. Por partilhar de tantos pensamentos em comum, a identificação não demorou a aparecer e de forma muito rápida, caminho e motorista passaram a ocupar o mesmo lugar, dividindo ações e situações.

Só que todo caminho tem suas curvas e encruzilhadas e todos passaram a perceber tal conexão, despertando a curiosidade de entender que tipo de conexão existia ali. Foi quando o caminho passou a perceber o quanto estava ligado à estrada e isso passou a assustá-lo. A estrada também confundia um pouco a sua postura, diante do caminho. Ele não estava acostumado com tanto convívio, foi preciso fazer o motorista perder um pouco a sua velocidade, só que essa desaceleração foi um tanto impactante para o motorista. Velocidade e risco sempre foram as suas maiores fascinações. Mas mesmo em baixa velocidade, o motorista não saiu do caminho, eles continuam na mesma estrada, só que sem fortes emoções e paisagens nebulosas.

O que o caminho ainda não conseguiu perceber é que a estrada se importa mais com o percurso do que com o nome da BR. Com o caminho, mais do que com os viajantes que podem querer desfrutar dele também. E que não se assusta com os resultados desse percurso, por achar que nós fazemos os nossos resultado, então se esse percurso vai dar em cachoeiras exuberante ou em deserto, não importa. O que é importante é que caminho e motorista conheçam o percurso e saiba desfrutar do agora sem achar que presente e futuro são a mesma coisa.

De Sex Pistols à Beethoven

Que os meus ouvidos são variantes isso eu não posso negar, mas que os meus paqueras seguem a mesma linha é de impressionar. Já fui de Charlie Brow Jr à Beethoven, passando por Sex Pistols e Nx Zero, às vezes enganada por Avenged Sevenfold.

Posso dizer que passei por Charlie Brown Jr, Ratos de Porão, CPM22, Jota Quest, Planet Hemp, Garotos Podres, Nirvana, Blink 182, The Cure, Sepultura, Soufly, Bob Marley, Chico Science, Papa Roach, Thalma de Freitas, Júnior Barreto, Céu, Lula Côrtes, Chico César, Devotos, The Doors, Engenheiros do Hawaii, Nx Zero, Los Hermanos, Mestre Ambrósio, Comadre Florzinha e Ave Sangria. E digo que por causa deles consegui adicionar toda essa discografia ao meu repertório, mas adicionar a ela música instrumental e Beethoven é um tanto espantoso. Não que seja novidade aos meus ouvidos, Pink Floyd, Led Zeppelin ou Paul Simon, mas que eu nunca esperei enveredar por essas bandas, isso é! Conheço apenas de nome, - o que me faz sentir desentendida daquilo que mais entendo - nunca me interessei por bandas consagradas, não que seja ruim, mas por achar que existem várias bandas precisando de mais valorização do que estas.

Sempre estive envolvida por música e músicos, sei como é tornar uma banda famosa e gosto de vê uma banda subir nesse mercado tão descartável. Banda todo mundo pode ter, mas tirar um som massa e estabelecer-se na mídia é sempre mais complicado. Valorizo minha terra e meus conterrâneos, não vou deixar de ouvir o que está sendo criado aqui do lado pra ouvir músicos que nem mais vivos estão. Claro que você não vive sem clássicos, ninguém faz o futuro sem entender o passado, até porque nosso passado trás várias raridades e ideias geniais. Ninguém tira da minha cabeça que Tom Zé já fazia samples antes mesmo do sampler existir e se hoje ainda hoje pode ser difícil gravar um CD bom, imagina nos tempos passados.

Acredito que precisamos nos ouvir, saber o que acontece agora, poder dizer que cresceu junto com certas genialidades da música e valorizar aquilo que o país produz. Música são árvores, se você plantar direito e regar todos os dias, elas podem durar uma eternidade. Não deixe máquinas e vegetações importadas mudarem a sua vegetação, vivemos em um país fértil. Assim como a sua população, a nossa música pode ser diversificada. Ouvir música é mais que uma diversão, é remédio para a nossa alma, é amiga, é identificação. Aguce os seus ouvidos e perceba o quanto a música pode contribuir para a sua vida.

Procura-se efêmero

O entra e sai me impede de te vê por aqui, será que ainda estás perto?
Será que ainda te acho o certo?
Datas vividas, histórias vencidas sem você por perto.
Vago por ruas e não te enxergo
Volto pra casa, e como um móvel, estás aqui
Quando me recolho, não tiras os olhos de mim
Por isso corro, lanço-me ao mundo e não te percebo
Somente lá fora não sinto que te perco
Aqui dentro falas comigo o tempo inteiro
Mas nunca me respondes direito
Não entendo porque foi desse jeito
Já não me incomoda o fim, mas a sua presença aqui
Parece fantasma que não sabe sair, volta e meia tropeço em ti
É como tudo a nosso respeito,
Chegou sem pedir licença e agora não quer mais sair
O barulho da rua não me deixa ouvir o peito
Então sigo sem sentir
Sem saber do que de nós será feito
Mas fazendo de tudo para não te ouvir