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Há tempos não descarrego os meus pensamentos, tanto aconteceu, junho chegou, maio passou e nada se contou. Teve tempo de começar, acabar e começar de novo, foi tempo de tempestades e confusões e de tantas outras decepções.

Tudo começou quando achei que podia amar de novo, quando mais uma vez fiz a besteira de apostar em moeda perdida, acreditando que sentimentos e pessoas são capazes de controlar, quando na verdade certas coisas não irão mudar. “A gente só faz o futuro quando resolve o passado” parece desculpa, mas esse coração sem coração alimentava remorsos, tinha a iludida sensação que as complicações presente vinham de um passado mal resolvido. Mas os dias só diziam o quanto estávamos consumados, ainda que esforçados, a verdade estava ali, juntos, mas separados. Não sendo preciso muito para terminar, mas levando muito junto com o fim, deixando apenas um repúdio e a decepção de mais uma tentativa desvairada. Mas todo fim precede um começo, nesse caso, não o começo de uma estória, mas de uma liberdade de espírito, totalmente despregada de pensamentos, alada. Trazendo nas costas as experiências de um coração sapiente, muitas vezes vagabundo e inocente, que não se cansa da sua idiota profissão.

Com alguns rascunhos de uma história antiga, um roteiro não terminado, com todos os elementos circunstanciais mais com seu protagonista sendo raptado por um adjuvante. Que interrompeu a fábula e deixou a peça fora do cartaz, mas que volta e meia torna a ser exibida na minha mente. Tirando a fábula, meros contos casuais, circunstanciais sem enredo suficiente para virar novela. Ando vivendo um conto em específico, mas dessa vez me reservo à personagem, cansei de ser narrador e perder todos os elementos, prefiro lançar-me aos cuidados do meu par. Um bem que se conecta através de energias, que dispensa diálogos ou cortejos, que se une por cinestesia. É o dobro de todas as minhas qualidades, diferente do meu histórico recente, é calmo e inteligente.

Concertezamente me encontro em um mar aberto e calmo, concertando algumas feridas de frustrações passadas, tentando me livrar de um certo fantasma, tentando ser um personagem agradável neste conto. Ainda que sem planos de transformá-lo em novela, me envolvo nessa história, fazendo com que cada encontro seja feliz, até porque não se sabe qual deles será o fim.

Sem despedida, censurado.

Só os meus pensamentos já me deixam tímida, não entendo a reação, prendeu demais a minha atenção. És um personagem de um conto sem trama, com nome, sobrenome e profissão, mas sem nenhuma identificação, um desconhecido conhecido. Fato atípico dessa minha mente perturbada. Como posso me encantar por alguém que não conheço? Como te enxergei naquela multidão? É do ser humano questionar-se, mas todo questionamento parte de uma conexão e a única existente nesse fato, não justifica a minha reação.

Lembro que te convidei para a minha mente quando te achei parecido com algum músico dos anos 80 e fiquei presa em meus pensamentos, tentando descobrir quem. Concidentemente, meus ouvidos andam grudados no folk de Bob Dylan e depois de alguns caminhos, os meus olhos também. Meus ouvidos estavam presos a um som, naquela noite, os meus olhos andavam perdidos, observava todo o movimento, quando me deparo com o mais próximo de Bob Dylan que consegui chegar, você. Os meus olhos te viam, mas a minha mente não queria achar que era você. Nem eu, nem ela... mas graças à teimosia dela, conhecemos você. Sem criatividade nenhuma e com a conversa mais fiada que se pode imaginar, conheço aquele que me rendeu despretensiosos pensamentos. Naquele momento, imagem e som se formavam, eram as primeiras linhas do meu conto. Mas para isso, precisaríamos de uma história e esta soa mais utópica do que a nossa inusitada apresentação.

Abril Diferente

Diferente, essa é a palavra que melhor define o 19º Festival Abril pro Rock, mas não é a diferença que sempre caracterizou o festival, famoso pela oportunidade de descobrir novas bandas. A edição de 2011 se resumiu apenas, a mais um festival de música - muito bom por sinal, mas sem grandes emoções. Com o palco do Chevrollet Hall dividido ao meio, as bandas foram bastante pontuais, sem intervalos longos e religiosos cinquenta minutos de apresentação.

Prejudicados um pouco pelo horário, as bandas Feiticeiro Julião (vencedora do concurso Bis pro Rock) e Mamelungos, foram respectivamente, as primeiras a se apresentarem. Em shows marcados pela criatividade e inovação tão peculiar dos pernambucanos. As bandas começaram a atrair, o ainda reduzido e disperso público que chegou cedo ao festival. Já aquecidos, o público recebeu a banda paulista Holger, com seu rock famoso no underground brasileiro que para descontrair, finalizaram o show com um funk. A norte-americana Chicha Libre, prendeu a atenção do público que dançou conhecendo ou não o repertório, deixando apenas a desejar, um pouco mais de percussão em suas melodias.

Tulipa Ruiz, se mostrou a banda revelação da noite, todos estavam ansiosos para vê e ouvir de perto aquela que foi a sensação musical do ano de 2010. A ansiedade foi tanta, que anunciaram em seu lugar, a cantora Karina Buhr. O que não desconcertou Tulipa, que ao subir no palco, cantou o começo de “Eu sou, uma pessoa má, eu menti, para você”. Arrancando risos do público, deu início ao seu playlist, cantando a faixa título do seu álbum “Efêmera”, aliás, playlist este, que acabou sendo arremessado para o público durante o show. Quem ainda dividiu o palco com a cantora, em uma sintonia perfeita, foi o músico Marcelo Jeneci. Tulipa, além da missão de fazer o show, que por sinal, soou perfeito e muito bem ensaiado, foi repórter especial da MTV. Muito a vontade, mostrou satisfação em estar na cidade e declarou ser uma realização tocar no Abril pro Rock. Assumindo falar muito, tulipa contou que no tempo que estudava, conheceu um pernambucano que lhe presenteou com uma camisa do festival, na época, sentia-se orgulhosa e “descolada” em usá-la. E que hoje, ficava feliz em estar ali e poder reconhecer seu público, tão comunicativo nos sites de relacionamento.

O mesmo coro que não errou letra sequer no show de Tulipa Ruiz, não tirou os olhos da hiperativa Karina Buhr, o que deixou uma reflexão da semelhança de público para sons tão distintos. Atriz por formação, Karina mostrou sua presença de palco de uma forma bastante encenada e criativa, interagindo até com o fio do microfone e o pedestal, correndo enlouquecidamente por todo o palco e se jogando pelo chão. Além do seu espírito transgressor, Karina chamou toda atenção com seu macacão paetê e os célebres músicos que trás consigo nessa turnê do álbum “Eu menti para você”. Muito bem acompanhada, Karina tocou ao lado de Catatau, Guizado e Edgard Scandurra. Edgard, que ainda teve pique para tocar com Arnaldo Antunes, onde dessa vez, quem enlouqueceu foi o público que não largou o gradeado para ficar o mais próximo possível do cantor. Percebendo a receptividade do público, Arnaldo se juntou a eles, descendo do palco e cantando com os fãs. Quem fez dueto com ele também, foi o músico Ortinho, cantando “envelhecer” e afirmando a estreita amizade que se aparenta existir entre os dois músicos.

A banda Eddie voltou ao palco depois de 12 anos, com um show tradicional e envolvente. Que teve início com o hit “Quando a maré encher” na tentativa de instigar a comportada plateia. Apesar de tímida, o público dançou todo o repertório, um tanto clássico da banda, que conseguiu reunir a “família eddie”. Levando ao palco Rogerman, o Mestre Erasto Vasconcelos - que não podia deixar de cantar Maranguape e Guia de Olinda. Karina Buhr trouxe certa nostalgia ao lembrar os tempos que havia uma voz feminina, sempre presente na banda. E claro, não podia faltar o velho frevo para “fazer o final” da festa. Encerrando a noite com classe, subiu ao palco a banda mais aguardada, Skatalites. Os pais do ska reuniram todos os presentes que não perderam a oportunidade de vê a talvez única apresentação dos Jamaicanos por aqui. A vontade foi tanta, que até os que não conheciam assistiram de longe a apresentação.

Com satisfação e aquele sentimento de quarta feira de cinzas, o grande final de semana do tradicional Abril pro Rock, que até a sempre presente chuva não deixou de aparecer, se despediu com a expectativa de superação para o ano que vem. Ou talvez, assim como o seu público, um tanto diferente daquilo que nós conhecíamos, o Abril pro rock firme-se com essa nova roupagem, de pessoas comportadas e sem grandes multidões. Deixando a cargo do Rec-beat e do Coquetel Molotov o papel de revelar bandas, se tornando um festival “antenado” com as produções nacionais e a única oportunidade de trazer para o nordeste grandes nomes do cenário internacional.

Sexy woman or Inflatable Doll

A normalidade das relações sexuais desapaixonaram os homens, de tão natural que é, os homens não se apegam as mulheres por amor, mas por uma boa transa. Como hoje não é preciso muito dedo para transar, os homens preferem a liberdade e diversidade do que o velho namorar. E nós mulheres, nos tornamos belas bonecas infláveis que nunca sabem quando querem a sua companhia ou o seu corpo. Se você demora a “dá”, eles reclamam, diz que estamos fazendo doce, se você é direta, paga de fácil e se nos mantemos virgens é porque queremos casar, afinal de contas sexo é amor ou diversão?

Definitivamente não dá para entender, cada homem é um pensamento, mas todos querem mais sexo do que tudo. Parece ser insaciável, e quando você consegue saciá-lo eles viram para lado sem nem dar boa noite, não estamos nos anos 60, mas também não nos tornamos buracos. Por isso que defendo os amigos de foda, é bem mais válido recorrer a uma pessoa, do que ficar propícia a se apaixonar por alguém que só quer algo mais quente que uma boneca inflável. Talvez se o os vibradores se tornassem mais versáteis nem a profissão de amigo de foda se manteria.

Entendia o sexo como uma diversão para duas pessoas que se gostam, mas sei que sexo sem compromisso se tornou uma atrativa diversão. E que dependendo do parceiro ela pode ser bem mais gostosa do que com a pessoa amada, então eu descarto a ideia de que para uma boa transa é preciso paixão. Então homens, não se tornem pessoas apaixonantes quando não quiserem se apaixonar, deixem claro que existe uma grande diferença entre sentir-se excitado e sentir-se apaixonado. E não tenha medo, pois mesmo se sentindo uma boneca inflável, se ela lhe curtir, ela vai dá para você.

É aí que a gente entende a grande diferença entre Amor e Sexo, na prática, a mesma coisa, mas na teoria, uma forte diferença. O que não acontece é essa diferenciação entra as pessoas e principalmente as mulheres que se encantam fácil e acabam banalizando algo tão ancestral. Portanto, se hoje não se censura a pegação nem em novela das oito, por que censurar um papo que faz toda diferença dentro de uma relação. Deixe que elas saibam quando são bonecas infláveis ou a última vagina do mundo, pois o mesmo pode estar acontecendo com você. Nós mulheres somos mais reservadas, mas pensamos da mesma forma e às vezes queremos a mesma coisa, então, no lugar da conversa fiada, pratiquemos a sinceridade.

O amor, quem viu?

Não tenho tempo para amar! Afirmação forte para uma pessoa de tão pouca idade, acho que até um workaholic consegue amar, mas em meus horários, esse afazer não entra e também não me considero uma viciada em trabalho. Ocupo o meu tempo com aquilo que acho necessário aprender, metódica por natureza, acredito que você tem tempo para tudo, basta se organizar. Listo afazeres e os divido em horários, assim, faço tudo o que quero sem me desgastar. Talvez se eu quisesse realmente, eu encaixaria o amor nesse meio, mas trabalho com prioridades, e nesse momento minha força motriz é aprender.

Não, não gasto todo o meu tempo “nerdando” como dizem, estudo mais do que disciplinas de faculdade ou temas científicos. Gosto de estudar pessoas significativas, despertar meu senso crítico sobre as coisas que vejo, conversar com pessoas que adicionem conhecimento. Quero mais do que a rotina de estudar para prova e curtir as festas do final de semana. Quando se tem um passado para se conhecer e um futuro para se estabelecer, não dá para ficar desperdiçando tempo com algo fugaz e tão sem conhecimento. Se divertir é necessário, adoro socializar, mas não precisa ser direto, quando se repete demais os fatos eles deixam de ser significativos e lhe causam estagnação.

Na rotina que escolhi para mim, chegará o momento em que vou precisar “descontrair” mas por enquanto não me incomoda reservar os meus finais de semana para um bom descanso e um assunto interessante. Segunda feira para mim soa como o ativar de uma bomba, parece que às 5 da manhã ela dispara e só vem desacelerar no meio da semana, e eu preciso manter o ritmo para que ela só exploda na sexta sem deixar faíscas de trabalhos inacabados. Então é apenas no final de semana que posso me desligar da bomba e descansar, pois sei que a segunda virá, e mais uma vez a minha correria antes dela explodir.

Talvez o meu quase “workaholic” seja resultado de uma recusa do amor, talvez o fato de não ter quem eu quero, me faça depositar essa dedicação nos estudos. Eu sinto falta de amar, não vou negar, mas também não quero criar outro amor. Gosto da reciprocidade natural, quero amar, e não me comportar como uma pessoa apaixonada. Mas me tornei um tanto exigente, não consigo amar ninguém, coloquei um protótipo na cabeça e agora não me acostumo com similares. Em momentos de fraqueza recorro ao meu passado, mas tenho consciência, que não dá para torna-lo presente novamente, primeiro pela bagagem que ele carrega e segundo por não achar justo alimentar uma mentira.

Também penso que pode não ser exigência minha, seja pela falta de homens apaixonados. O comportamento masculino em minha volta tem me deixado meio desiludida quanto o amor, tenho me sentido mais uma boneca inflável do que uma pessoa propícia a um namoro de portão. E por saber que sou muito mais que um buraco eu troco o amor pela vontade momentânea do sexo e me dedico ao que de fato me agrega valor, o meu conhecimento.