Laço

Vai, mais volta para me emaranhar nos teus cachos
Acender novamente meu olfato, trazendo o único cheiro
que desperta em mim paixão.
A única voz que acelera o meu coração.
Pois é apenas em teus braços que me desfaço,
Meu corpo pede os teus amassos...
É só com você que me encaixo.

18.fev.2011

Os passos ainda nem foram e a saudade aqui já está, como se o passado congelasse e nada de novo fosse chegar.

Na mente, revejo o filme da gente, sem roteiro, fim ou meio e nem as cenas de raiva me tiram desse derradeiro. Era para você me levar, não quero ficar, nos mesmos lugares onde você não mais vai estar. Não quero apenas lembrar, já não sei se vou aguentar. Não era pra ficar assim, não era para você simplesmente partir, quantas coisas vivi!

Como é ruim ficar aqui e saber que estais ainda mais longe de mim. Apagar as memórias não vai adiantar, você não vai voltar, que aperto no peito me dá. Sim, era para você me levar, já não tem a mesma graça os lugares quando você não está.

Game Over

Por mais que eu te ame, eu também me amo
E é por amar à mim que eu fecho esse jogo.
Não pelos fatos, mas por achar muito pouco os tratos.
Fizesse jogo baixo, foi gato por lebre todo o tempo.
Só não notasse que eu estava de cara limpa
E que podia deixar a partida a qualquer momento.

É melhor terminar sem empate nem vencedor!
Nosso jogo é tentador, mas já me cançou e olhe que nem terminou.
Suas respostas incertas me desgastou.
Desumano, desonesto foi o que se tornou e não vale mais ser jogador
Você não me derrotou, apenas valho mais que o prêmio meu amor

Quero um jogo sublime e alegre, onde o meu adversário
tenha mais sede de ganhar e que mereça ser o meu amor
É como dominó, depois de seis partidas a gente troca o jogador!

Um sorriso, numa frase.. uma flor

Sim, eu sei que não preciso ser amante, pelo contrário, vejo muitos que querem ser amados por mim. Talvez, de todos, seja você o que menos mereça, mas depois de tanto tempo, foi você que eu quis. Prefiro depositar em tu esse amor que carrego. Sem me preocupar com reciprocidade, a tudo me submeti. Fui ao fundo do posso e cai, para não dar vez ao remorso, tudo que pensei, FIZ!

Abri feridas por tentar, falei, chorei, ouvi me expus exatamente ali, no mesmo lugar que colocaste um fim. Vai ser uma ferida difícil de cobrir, rasgou a pele... foi dor de mente, peito e coração.
Mas irá sumir, o que não some é a sensação de que não é o fim!

Pense duas vezes antes de esquecer

Ortinho

Herói trancado é o terceiro álbum da carreira de Ortinho, marcada de quatro em quatro anos por algo novo - já que seus últimos lançamentos foram exatamente em 2002 (Ilha do destino) e em 2006 (Somos). Em 2010 ele surpreendeu não pelo simples fato de lançar mais um cd, e sim, por esse cd ser o mais maduro de todos que ele já produziu. Herói trancado trás muito da Jovem Guarda em suas melodias, o cunho político e o cotidiano, tão presentes em seus CDs, deram espaço para os sentimentos. Ortinho, ao invés de rasgar o verbo, rasgou o seu próprio coração, ao deixar fluir todo sentimentalismo que sempre existiu nele, gastando vários pronomes para trazer todo tipo de emoção.

Herói trancado, música título do cd, tem na guitarra o renomado Luiz Chagas e nas próprias palavras de Ortinho esse sentimento libertador que trás no cd. ("Agora vou aproveitar a minha vida, preso pelo mundo afora / Não tô a fim de receber visitas, tô me sentindo livre feito um turista"). Outro fato que surpreende o cd é a ré-gravação da música "você não sabe da missa um terço" - Grande sucesso dos tempos do Querosene Jacaré, sua antiga banda. Sucesso este que deixou a ré-gravação um tanto a desejar, não por ser ruim, mas pela falta que faz "o vigor" da primeira versão. Mas aposto que ao pegar o cd, será a primeira música que você vai querer escutar!

Apesar de predominar o iê, iê, iê Ortinho não abandona as suas raízes. A música "Já fui rei" é a faixa mais diferente, do tão encorpado cd, é quase uma ciranda que na verdade, por ser tão curta, soa como uma vinheta para finalização do disco. ("Já fui rei, já fui ao céu... num avião de papel"). "Café com leite de rosas" tem uma introdução meio blues, que se rende ao retrô no decorrer da letra. "Retrovisores", conta com a voz de Arnaldo Antunes e um som mais zen, acompanhado de um piano ao fundo. "Moldura", tem a expressiva guitarra de Yuri Queiroga para passar um sentimento meio dark de solidão. "Modelo vivo" faz mais o estilo Roberto Carlos e conta com o Maestro Spok no Sax. "Saudades do mundo" mantém o estilo anos 80, somado a voz de Jorge do Peixe. "Pense duas vezes antes de esquecer" comprova o quanto é chiclete as letras do disco. Já o refrão ("Larga essa tevê e vem pra cá me vê") soa bastante sugestivo para a primeira faixa "O cara do outro lado".

Então, faço minha as palavras dele e digo: "Largue essa tevê e vá vê" além de ouvir, Ortinho é um dos cantores que vale a pena conferir. E nessa fórmula que ele criou, apostando em um rock clássico sem muitas variantes, eu garanto, até a sua mãe vai gostar!


Consuma:
http://www.myspace.com/ortinho