É na guerra que descobrimos


É engraçado como uma pessoa, um pedaço – às vezes não muito grande – é capaz de alterar toda a sua estabilidade. No meio de uma série de afazeres e prazeres às vezes inumeráveis, uma pessoa, um numeral, consegue desestabilizar e causar uma expressiva sensação de caos.

É, esta pessoa é o seu namorado, é assim que você percebe que este é mais que um amigo, parente ou alguém que está fazendo besteira. Só ele tem a capacidade de fazer uma curva simples na rota das coisas lhe provocar uma sensação de tsunami, que sai derrubando e desracionalizando toda à órbita. No meio de estudo, trabalho e até de você mesma, ele é capaz de posicionar-se superior a isso e tornar uma simples atitude não esperada ou irracional, em uma verdadeiro impacto social.

Tudo pode ser justificado pelo hábito, quem é a pessoa que você mais partilha a vida além do seu companheiro? Ninguém! é a ele que você recorre no triunfo e na derrota. Quem te vê toda assanhada e com aquela cara de sono e ainda te dar um sorriso, mesmo sabendo quão desmantelada você está? É talvez por dividir tantos momentos e sentimentos, um comportamento inesperado faz com que a sensação de erro seja sua, ou pior, o questionamento típico “quem é ele para fazer isso comigo”. Quanto mais dedicação temos, mais cobramos dos dedicados, o mesmo se aplica hábitos, tratamentos, sabemos que ninguém é igual, mas é como se a aquela pessoa tivesse que ser.

Talvez se nós não dependêssemos tanto ou quiséssemos ser tão semelhantes, tais comportamentos não incomodariam tanto, mas é esta a grande diferença entre amigos e companheiro. E é exatamente esta indignação que faz com que esta pessoa ocupe a posição que ela ocupa na sua vida, mais do que as questões teóricas-filosóficas de gostar x amar; namorar x ficar e tantas outras que nos ajudam a identificar quem de fato é o seu amor.

Desalinhar


Sempre ouvi dizer que relacionamento é troca, mas sempre confundi-lo com dedicação exclusiva, desta vez, há mais dedicação exclusiva do que uma troca de fato.

Já faz parte de mim dedicar-se aos problemas e felicidades dos outros, sempre foi comum a minha satisfação está ligada à realização de um terceiro. Mas nunca me dei conta ou estive reprimida por tal comportamento, a grande questão é que em um determinado momento, percebi que aquilo que tinha ou queria, estava muito mais ligado aos outros do que a mim. E logo eu que sempre critiquei a falta de atitude alheia, estava sendo totalmente pautada por outras pessoas. Só que tal reflexão se dá exatamente em um momento de transição, de auto reconhecimento, de grandes mudanças que às vezes é visto como egoísmos.

Tergiverses a parte, hoje já não me permito viver em função ou tomar os problemas dos outros para mim. É mais difícil, principalmente pelo choque de quem estava acostumado, pois estes terceiros são íntimos o suficiente para interpretar como quiserem. E a tal da interpretação é capaz de fazer estragos grandes, em pessoas como eu, que não se dispõe a explicar as coisas antes de fazê-las. A princípio, isto cabia a amigos e família, pois me faltava um amor, e durante esses dias, essa diferença entre troca e dedicação exclusiva se tornou razão de um grande desalinhamento, muito bem alinhado em um encontro de lábios, mas precedido por muita insatisfação e desejo de finalização.

É fácil ficar sentando vendo os defeitos dos outros ou regulando o comportamento alheio, sem olhar a si mesmo. Existe uma grande diferença entre aquilo que as pessoas são e como você gostaria que elas fossem. São essas duas verdades que explicam o desalinhamento pessoal, para um possível alinhamento do casal. Mesmo não condizendo com o a minha postura atual, pretendo mudar o ponto de vista para vê se surge uma equidade na troca. É como se houvesse um trato, ao invés de projetar a mim, vou projetá-lo para vê se a assim a postura dele muda e com essa mudança do meu comportamento o nosso relacionamento fortaleça novamente.

Sei que a distância e a minha falta de foco contribuíram para esse desalinhamento, mas o recente encontro, de pensamento desviado em alguns momento, me fez escolher de que lado desta linha quero ficar e como toda escolha exige forças, vou gastar as minhas em função dele. Tudo isto porque o parceiro não solta os pensamentos de traição recorrentes em seu passado e somado a sua imaturidade proveniente de sua pouca idade, fazem com que o esperado não conduza com a realidade, o que acaba gerando a minha insatisfação. Mas, com razão e desejo reconhecidos, fica bem mais fácil alinhar.

Olhando para mim, admito que deixo nascer outra pessoa novamente, é mais uma que surge para agradar e fazer um relacionamento dar certo. Não estou sendo eu quando aceito a submissão, não estou sendo eu quando me coloco ao seu serviço. Estou sendo eu quando exagero no amor e me adapto a você, não que neste caso não esteja, é exatamente por adaptar-se que digo que vou me acostumar com a sua postura e falar apenas aquilo que você quer ouvir. Se isso é exagerar, já não sei, o fato é que ando cansada desses galhos e ainda com raiva, não canso de ter provas do quanto você me encanta.

Deixar e ser deixado


Às vezes eu penso que você pede para ser deixado, se soubesses dos últimos sentimentos, não agiria assim. É como se quisesse e não achasse motivo, é como se não soubesse namorar, sinceramente não entendo. Sobre o pouco que entendo namorar não é dizer que ama e perguntar como foi o dia, namorar é provar diária e inesperadamente o quanto aquela pessoa é importante para você. Se existe de fato um sentimento, porque tantos altos e baixos? Dizem que o amor é cego, mas o seu – se é que existe – deve ser biônico ou especialmente desenvolvido para olhar apenas para si mesmo.

Responder ao que se é imposto não é amor, amor não tem rotina, não tem singularidade, não tem egoísmo. Acho que na escola que você cresceu, você era aluno especial, foste educado como único, como aquele que todos servem e dão atenção, mas cadê a reciprocidade? Cadê o amor que você diz ter? Cadê a unidade? Fazer as minhas vontades não é amar, isso é ser acessível. Responder aos carinhos soa até como esmola, como agrado, nunca como amor. Não sei se é de onde você vem ou é comigo, mas não sei achar normal tudo isso. Cadê as palavras doces, que mesmo sendo apenas palavras, tem o poder de tornar os dias mais fáceis? Cadê a criatividade? Cadê a emoção de amar? Tudo isso se perdeu e nem desgastado ainda estamos.

Não, não é “viagem” minha como você vai pensar. É como se na virada do mês aquele menino inseguro e autocrítico se transformasse no maior dos autossuficientes da prateleira mais alta, que acha que faz um favor em me ligar.  Ok! Seus defeitos são mais notáveis hoje em dia, mas além disso, o que mudou? Não plantei egoísmo para colher preponderância, plantei carinho e só recebo bipolaridade. Parte disso, é culpa da falta de conhecimento, estamos nos conhecendo, eu sei, mas quando você se apresentou, não sabia que chatice, irresponsabilidade e mimos nos trariam problemas. Tá, também tenho defeitos, mas no meio deles, garanto que nenhum lhe coloca em segundo plano como costumo ser deixada. Já temos a geografia para nos atrapalhar e você ainda coloca mais meninices e imaturidades para nos afastar. Seria mais fácil se pudesse ver os seus olhos o que é raiva e o que é saudade, mas o que ouço, só tem sido um discurso egoísta de uma pessoa que não faz a mínima questão de estar comigo.

Existem certas frases ditas por você que são executadas instintiva e repetitivamente na minha cabeça, são elas que me fazem pensar duas vezes sobre o meu comportamento doce ou presente. Pode ser rancor ou nóia da minha parte, mas é claro que não éramos assim, tínhamos uma sintonia, encontrávamos prazer no outro, agora é como se estivéssemos esperando a próxima alfinetada, já que, como você diz, não brigamos. Não me queixo dos seus defeitos, a ele, acredito que posso me acostumar, reclamo da sua ausência, reclamo de não conseguir saber o que está acontecendo. E exatamente por não saber, fantasio coisas, altero meu humor e não relaxo. Tudo o que não é do amor, namorar é ter sonhos possíveis e bom, não fantasias, amar é ser doce, é viver em paz não é este estado de alerta que nós estamos.

É, não sei!


É, tá cada vez mais difícil esconder esse sentimento, por muito tempo, consegui controlar e até torna-lo algo tranquilo. Só que agora tudo mudou, de nós, até o ambiente em que vivemos já não é igual à antes. Estamos fazendo um ano e quanta coisa aconteceu, para qualquer lugar que olhe, há um pouquinho de você, desde um comentário até a sua presença de corpo inteiro, são doze meses de convívio contínuo, com algumas variáveis, mas sem intervalos. Hoje, já não consigo separar, digo até que me conheces, não sei se isso é bom ou ruim, só sei que somos íntimos e isso não dá para separar.

Construímos a nossa amizade em cima de um ambiente de transição e rumores, sou eu me encontrando, no momento em que você se reinventa, enquanto todos vêem além dos próprios olhos. Não sei até onde abri a cortina para os outros começarem a dizer o que dizem, mais sei que levei muito tempo tentando transformar todo aquele encanto em amizade. Admitindo que você não ajuda tanto (fala de mim, mas é igual) resistir ao seu charme sempre foi uma tarefa difícil para mim. Enquanto haviam paredes, até que deu para justificar com outro foco, mas depois que elas ruíram, minha mente fértil quis fazer o “certo” ruir também. Até a primeira aproximação, estive bastante certa da minha condição. Foi tanto tempo amiga, amiga, amiga que hoje não consigo ser outra coisa e talvez por causa de tanta confiança, hoje somos assim. Uso a palavra assim por não saber explicar o que somos, partindo do que sinto, somos amor. Não aquele amor de cinema ou estereotipado pelo relacionamento entre um homem e mulher, mas aquele amor que ouve, se preocupa, cuida e sente saudades, o mesmo amor que se sente por um irmão ou amigo de verdade. A única diferença desse amor é o desejo, a sinergia de cheiros que atrai a admiração que transcende qualquer limite quando estamos presentes. Mas será que tal sentimento pode ser chamado de paixão? Será que nós nos encaixamos no estereótipo de casal? Sinceramente, não sei.

É complicado domesticar um sentimento e depois deixar que ele fale sozinho, principalmente quando sabemos de tudo e nos apegamos a pessoa. É exatamente esse saber que faz com que a ideia de casal seja totalmente descartada, depois de tudo, sei que precisas da liberdade. Foram muitos anos de asas cortadas e sentimentos frustrados para em questão de meses se dedicar exclusivamente a outra pessoa. Me conheço o suficiente para saber que se eu deixar me levar, o sentimento de posse vai aflorar e sei que depois de 10 anos de altos e baixos, relacionar-se costuma ser algo complicado. Ainda não passei por frustrações suficientes para me fechar ao amor, pelo contrário, quero mais é transformar todas elas em triunfo, quero poder pôr em prática todas as lições aprendidas nesses 10 anos de relacionamentos sérios e não tão sérios assim. Só tenho um trauma e milhões de lições, milhões de sentimentos dispostos a ser depositados em um único coração, que apenas faça por onde merecê-lo. Se eu souber o que é amor, já amei e desamei muitas vezes, foram muitos contos de fadas sem um fim consistente, o que quero agora é um amor de verdade, uma história real, sem data para “happy end”. Já passei por todo aquele período de conhecer a si e entender o mundo, quero agora me sentir parte dele e uma das rodas que o movimenta, meu tempo de ser carregada ou depender dos outros já deu.

Você me pergunta se pretendo terminar


Você me pergunta se pretendo terminar, eu, que nunca tinha me perguntado isso, tenho medo da resposta que posso dar. Pela primeira vez não sei se devo falar o que se quer ouvir ou aquilo que passa na minha cabeça, quem sabe até o que realmente queira – mas como falar o que quero, se nunca parei para pensar.

A verdade é que nem tudo se responde com um sim ou um não. Nesse caso, seria sim, se não tivesse a plena consciência de que você precisa da sua liberdade, se desprender de qualquer tipo de obrigação ou monogamia. E a mesma consciência de que não funciono no modo pega e não se apega, gosto de me dedicar, cuidar, não sobrevivo à incerteza ou um não, sou possessiva demais pra isso. Ainda que não sufoque, gosto de certezas, não quero doar a quem não quer fazer o mesmo. Aí acaba sendo não pelo simples fato de querermos coisas diferentes, não culpo, é mais que necessário o seu desprendimento, mas ao mesmo tempo, é tarde e arriscado para mim permanecer a disposição. Tenho muito amor e carinho para dar, mas só faço depósito em conta confiável e neste caso, é hoje e pode não ser amanhã.

Eu vou cantar pra saudade

Acho que não sou a única a sentir saudades por aqui, ninguém com outro sentimento, me ligaria em pleno meio da semana, durante a madrugada para saber como estou se não estivesse sentindo saudades. Com uma voz doce, desconfiado por ter me acordado, não quis falar muito, para que eu não despertasse. Sabia que eu estava dormindo, mas a vontade de falar era maior. Sentir como se estivesse sufocado, no meio de confusões e viu em mim, a chance de se desprender por alguns instantes.

Ainda bem que, mesmo dormindo, lembrei tudo isto antes de reclamar por ter esquecido o meu aniversário ou por ter sumido. Mas eu sabia que você sabia do meu dia e sou eu que não tenho respondido as suas mensagens. Prometi que não ia mais te procurar, preciso esquecer tudo isso antes de estragar mais uma estória por não resistir a você. Me pego pensando, não posso negar, mas aceitei em terminar. “É mais fácil começar uma nova estória do que concertar uma antiga” – já ouviu isso? Nunca acreditei tanto nisso como agora. Prova disso foi expor a gente para quem poderia morrer sem saber, mas contar me ajuda a me distanciar. Depositar em outro os meus pensamentos, faz com que, no meu repertório, você fique para trás. Penso em um dia jogar tudo para o alto e colocar em prática tudo que sempre quisemos -só que na mesma hora volto atrás e penso que não vale a pena. Tivemos o tempo da gente e você as suas chances, nada se consolidou, então porque agora? Pra quê arriscar? Prefiro deixar pra lá, direcionar as minhas energias, pedindo a cada dia, que você evite aportar minha mente.