Contrato de contradição

Sei da minha eterna contradição, sei da minha fácil adaptação, mas assim como sei de tudo aquilo que já passei, sei do quanto me sinto disposta a viver com você. Por muito tempo eu tive repúdio a esse papo de casamento, mas essa distância e a agunia que dá querer te tocar e não poder, me dá vontade de morar com você. Quem casa, que casa, já diz o ditado, no meu caso é quero casa com você. Todo dia sonho em voltar pra casa e te encontrar, poder deitar mais uma vez no teu colo e poder conversar com a única pessoa que realmente tem me dado atenção.

São só 21 dias, sei disso também, mas é como se já te conhecesse e por mais ilusório que seja, é como se você não fosse capaz de me machucar. Queria que os dias voassem, que terminasse tudo aqui para poder ficar mais perto de você e ter a certeza de que nada disso é em vão. Poder dizer que de onde menos se esperava, saiu aquele que conseguiu me livrar dos amores doentis, do egoísmo e individualismo constante que vivi. Sempre que penso em você, tenho vontade de te pegar no colo feito criança, proteger como mãe protege um filho, não queria que te faltasse nada, das coisas mais abstratas até as mais materiais eu queria poder te dar, só para retribuir o bem que você me faz.

Sei que daqui há alguns meses posso ler isso novamente e dizer que nada disso foi verdade, posso estar assinando o meu atestado de contradição, mas hoje, falo com todas as palavras que não te trocaria por ninguém. Não vivemos o suficiente para ter essa certeza, pode ser encanto de começo, pode ser muita coisa ruim, mas também pode ser as primeiras frases de uma longa história.


Não aguento

Já falei muitas vezes que não aguentava, mas hoje eu realmente, não aguento mais. Chegar mais tarde em casa, viajar, evitar dirigir a palavra não é o suficiente, ajuda, mas é tapar o sol com a peneira. Minha cabeça dói, não dá mais pra fingir que isso tudo não está acontecendo. A verdade é que pensamos diferente, queremos diferente, sonhamos diferente, nada será igual e forçar uma igualdade é ferir a si mesmo. Não é que eu odeie, juro, não odeio, sou até muito grata, mas isso não quer dizer que preciso engulir calada.

Só queria ir embora, andar com as minha próprias pernas, meter a cara no chão se for preciso até, mas ser eu, só isso! E daí se ando com um monte de meninos, e daí se eu não agrado as pessoas, se eu ficar sozinha, drograda ou rapariga é escolha minha, se eu quiser, não vai ser você que vai me impedir. Minha cabeça dói, parece que vai explodir e essas lágrimas que não me deixam respirar, Oh Deus! Quantas vezes já te pedi pra mudar isso. Até quando vou ter que aguentar?

Do nosso amor, a gente é quem sabe

Quem se importa se isso tudo é um erro, quem se preocupou comigo nas várias vezes que me machucou. Somos perfeitos? Não erramos mais? Viramos robô, nos tornamos ciência e só, não há mais sentimento, não há mais emoção. Se estamos juntos é porque é coerente, não porque nos sentimos bem. Se vamos nos comprometer, temos que pedir permissão aqueles que gostam da gente. Ahhh, façam-me um favor!  Quantas vezes estive feliz com os meus impulsos, me adapto, não vou machucar ninguém, e ainda que machuque, é na perca que aprendemos. 

É muito fácil estar, confortavelmente, de fora apontando os erros dos outros, olhando os fatos, não os sentimentos. Se os meus atos dependessem somente dos fatos, minha vida seria outra – melhor até! Mas infelizmente, não somos puramente razão, precisamos dela, mas não podemos viver só com ela, os sentimentos é que temperam a relação, que fazer de nós humanos. Os erros de hoje, são os acertos de amanhã, viver uma vida sem risco, sem erro, é viver superficialmente. Isso não quer dizer, que vamos sair machucando todo mundo, mas não podemos deixar de viver porque vamos cometer um erro, ninguém sabe de tudo, o que para você é um erro, para mim pode não ser.

Dizer que sei o que estou fazendo é mentira, mas não estou vivendo uma mentira. Só eu sei o que me leva a aceitar ou não e o que pode ser bobo para você, para mim não é. Se para uns a errada sou eu, o meu “erro” é uma defesa. Já senti na pele os lados de um amor, da dor de ser deixada até a overdose de um romance pleno e nesse assunto, sei, melhor do que muitos, onde estou pisando. Olhar de fora, sem sentimentos, é fácil entender e dizer quem tá errado, mas joga um balde de medo, insegurança e dor que verá que não é tão simples assim.

Pode ser carência, refúgio, pode ser o que vocês quiserem, não vou provar nada. Eu sei que não é isso, é na verdade, um modo de me manter presa ao que é certo. As escolhas foram feitas sem levar os meus atos em consideração então porque eu vou considerar quem não se arrisca por mim. É muito lindo esperar por quem nunca esperou por mim, é muito romântico ser fiel a quem, nem quando estava comigo, foi fiel a mim. Só que o amor cega e me tira os limites, se ficasse como estava, não ia prestar.

Eu não preciso amar para estar com alguém, basta sentir-se bem ao lado dela. O amor é importante, mas se ele não nasce novamente, a gente tenta forçar uma semente. Mas como dizem, “eu não amo ninguém”, então, não preciso de nada disso. Tal afirmação não é minha, mas é dita com tanto propriedade que parece até que a pessoa está dentro de mim, sabe todos os amores e desamores que deixaram sequelas em mim, vem de quem acha que sabe tudo sobre o amor.

Dar conselhos e um ouvido amigo é uma coisa, agora falar com propriedade de algo abstrato, apenas baseado em fatos é ousadia. Opiniões são fundamentais, agora querer que me comporte de acordo com elas é demais. São reflexões importantes para mim, só que opiniões não são regras, não é porque você pensa de um modo, que tenho que pensar também. Tá, pra você eu errei, ok! Mas no fim das contas, quem sabe da gente, quem sabe onde o calo mais dói, somos nós mesmos.

O que a gente faz com essa saudade?

É triste entregar a outro, todo sentimento que guardei pra você, é triste ter a certeza que nada mudou e que, quando se tira algo dos outros, este nunca será seu. Junto a toda essa tristeza eu pergunto: o que fazer com essa saudade? Com essa vontade de te ouvir. Reproduzo tua voz na minha mente, mas não é a mesma coisa. Podia ser a besteira que fosse poder fazer como sempre fiz, te surpreendendo mais uma vez com uma ligação. Mas agora já é tarde, já não posso inventar desculpas pra te ligar, é tempo de nem poder pensar em você – mas isto, ainda não consigo.

O que foi que aconteceu com a gente, porque teve que ser assim novamente. Era pra ser você, era pra ser a gente. Depois de tanta coisa nos resumimos a nada, nos perdemos, como você mesmo falou. A diferença é que dessa vez eu fiz por onde, atrasada, mas fiz, e você? O que fez? Pôs todos no meio da gente novamente. Queria entender porque és tão fraco, porque não tens coragem de apostar na gente. Antes achei que fosse por comodismo, por desconfiança, por vaidade, hoje vejo que é insegurança.

Eu vi você ir embora novamente

O que você fez foi ridículo, mas ajudou a esquecer-lhe novamente. Parecia que tinha 17 anos, tanta irresponsabilidade em troca de um amor que mais uma vez, não fez o mesmo por mim. Hoje vejo que nada mudou e acreditar em nós novamente foi mais um erro, somado aos muitos que cometo quando se trata de você.

Apesar dos pesares, eu fui provar que poderia ser real, fui atrás novamente, mesmo sabendo que as circunstâncias eram outras, estava disposta a errar por um bem maior. Ainda desconfiada, fiquei sem saber o que estava fazendo e com o modo automático, observei mais do que falei. Parecia estar tudo perfeito, sentir a segurança que há anos não sentia e a satisfação que parecia não ter diminuído um milímetro nestes cinco anos. Só que estava tudo perfeito demais, tínhamos tudo para selar de uma vez por todas quando “alguém” entra no meio e atrapalha tudo. Eu vi você ir embora novamente, para ir “fazer o certo” – como sempre. Foi cuidar de “alguém” porque era a coisa certa a ser feita e me deixou para trás novamente. Se tivesse cometido todas as irresponsabilidades e tivesse ficado com você, tudo bem, não temo em arcar com as consequências. Triste é saber que fui irresponsável por uma ilusão, por alguém que faz o correto com todos, menos comigo.

Só que agora eu não tenho mais 17 anos, e repito novamente o que disse há cinco anos atrás, nunca mais eu derramo uma lágrima por você e toda vez que sonhar em sentir algum tipo de amor, pretendo me lembrar do que fizeste novamente. Todos temos o direito de errar, mas por uma terceira vez é burrice, então já não adianta mais acreditar, nunca haverá nós novamente. Pena que as coisas acabam e nem sempre os sentimentos vão junto, mas dessa vez eu tenho a certeza de que não darei um passo em favor de nós, como sei que você também, o fim que temia acontecer por outras razões, acabou acontecendo por você mesmo. Me senti uma otária pela segunda vez e pela terceira, você não há de fazer. Passei por cima de tudo e esqueci o mundo só para pensar na gente – de novo – e o que você fez? O de sempre, correu! Passei anos para acreditar novamente, para me desarmar e curar todas as feridas de ser deixada, para ser deixada novamente, pela mesma pessoa. 

Vi um filme passar pela minha cabeça naquela noite, estava sozinha novamente, longe de todos, me sentindo suja e desprezada. Era a mesma cidade, as mesmas lágrimas e a mesma dor, parecia que os anos não tinham passado, parecia até que ia prestar vestibular em breve e não conseguia pensar em mais nada a não ser ouvi-lo dizer que “precisa ir”. Como você pôde fazer isso novamente? Se não existia coragem, porque não me disse? Se não era a hora, porque não me deixou ir? Fiquei por nós e na primeira chance que você teve, você esqueceu de nós. É como se o amor só existisse nas horas boas e conveniente, é como se eu fosse um truque de mágica que posso sumir e aparecer quando lhe convém. Só eu sei o que passei naquela sexta feira 13, só eu sei da dor de ser deixada e ter que manter-se erguida, forte, como se nada tivesse acontecido. Pra depois de tudo vê você querendo conversar novamente, se era pra terminar o namoro, que terminasse naquele dia, enquanto eu ainda não tinha me machucado.

A felicidade é que por ser a segunda vez, já tinha em mim a lição de que por amor não morre e depois de tudo aquilo, as coisas ficaram mais claras na minha cabeça. Tudo que eu quero agora é aprender a viver longe de você ao lado de quem realmente – até agora – me fez valer a pena cada palavra e sacrifício pelo prazer de amar.

Sim, eu preciso falar

Não faz nem um ano que eu te conheço e já se tornou significante, amigo. Certo que se fosse mais que isso eu também ia gostar, mas já me faz feliz a sua companhia, consigo me desligar, me “desamostrar”, é como se entrasse em outro mundo, onde sou uma criança de quatro anos que não sabe das coisas direito. Não sei se é de você, da sua ética, mas vejo muito carinho e tenho muito carinho também.

Em Abril eu escrevi “Sinto-me muito verde, parecendo criança desacostumada com piscina funda, que sempre precisa de alguém por perto lhe dando instruções. A minha felicidade é que tenho um instrutor legal, alguém que aparenta grande potencial dentro desse mar e disposto a me ensinar”. Não fazia ideia que amadureceria tão rápido e o quanto esse instrutor seria fundamental a esse fortalecimento, algo me dizia que seria um contato importante, mas não imaginei que seria tanto. Hoje, nem um ano depois, vejo uma ligação forte entre nós, não em um sentido específico, mas em tudo, somos atraídos enquanto casal, amigos, parceiros. Não sei se porque eu gosto de aprender e você de ensinar, não sei se é o momento de transição de vivemos, não sei, não sei, só sei que curto. Curto tanto que queria até mais contato, mais presença, mais e mais...

Depois do meu irmão, és o homem com quem mais me preocupo, não sei por admiração ou por interesse, mas por mim, nada lhe atingiria. Por isso, tenho medo do que pode acontecer a você, principalmente pela capacidade e ímã que cê tem para as coisas ruins. Gostaria de ser seu amuleto da sorte, alguém que pudesse fazer as coisas darem certo de uma vez por todas em sua vida, não porque você é o meu amigo, mas porque você é um cara foda e precisa usufruir das suas qualidades. Tá bom dessas limitações e invejas, quero te vê lá em cima, contribuindo para que as pessoas evoluam, que ao invés de sentirem insegurança, as pessoas passem a aprender com você. Me acho até uma chata, mas é importante que você saiba que tem pessoas com quem você pode contar, mesmo sem poder fazer muito, sozinho você não está.

Não sei.

Não entendo porque eu nunca consigo escrever a seu respeito, não entendo porque essa história se estende há anos, não entendo porque você não cansa de mim, nem eu de você. Até quando vai ser assim? Até quando as minhas pernas vão tremer e o nervosismo vai tomar conta de mim? Até quando Caruaru vai ser tão você? Tive tantos amores e desamores, porque só você grudou em mim? Será que um dia vai existir um fim?

Por muito tempo pensei que não, é a primeira vez que acho que isso pode ter um fim, assim como é a primeira vez que somos tão sinceros e claros uns com os outros. Assim como é a primeira vez, que após três anos, eu tenho coragem de expor o que sinto por você. Não sei se foi defesa, desinteresse, insegurança... não consigo saber, nada faz sentido, nada tem razão. O que sei é apenas resultado da observação. De perceber como eu fico nervosa, como perco os limites, como perco as palavras quando me vejo no mesmo espaço geográfico que você. Me sinto criança, uma menina que não sabe o que é o amor e todas as suas vaidades.