Tenteentender

A verdade é que nunca me curei desse amor, guardo de modo frustrante este sentimento que talvez, seja hoje, apenas fruto da minha imaginação. Queria poder te olhar e não sentir nada, queria conseguir te odiar por mais de 24h e simplesmente te tirar da minha vida, como já fiz com tanta gente. 

Tenho a plena certeza que não me amas, mas ainda assim, insistimos nisso, não conseguimos dizer não. Há dez anos que dou e tomo de volta o meu coração e desde a primeira vez que te vi, tento pegar de volta o pedaço dele que prendeste a ti. Será que nunca vou conseguir amar alguém por completo só porque parte do meu sentimento não sai de você? Que amor é esse? O que é isso que a gente tem? Isso não deveria levar o nome de amor, machuca, atrapalha, trás briga, um amor de verdade não deve carregar este tipo de sentimento.

Dói em mim

Ainda que converse muito mais que antes, ainda que tenha uma amiga, ainda que me sinta querida e amada, reclamo de barriga cheia. Não é que não esteja satisfeita, mas certas coisas me incomodam, entristecem e fazem com que tudo se transforme.

Dói às meninas a sua volta, essa falta de segurança... Já fiz tanto que acho que pode estar acontecendo o contrário agora, passei por cima de tanto que me sinto sendo pisada pelo fantasma da justiça. Dói a incerteza sobre o nosso futuro, temo que tudo isso acabe e que prevaleça o sentimento de erro, é tudo muito novo, mal te conheço e já faço mil planos, fingindo não vê os teus defeitos. É muita expectativa e pouco repertório, é um passado promíscuo e um presente tentador. Finjo não ligar para o que vejo, para confiar em você, mas recados e fotos me machucam a cada olhar, definitivamente, seu passado dói em mim!
Só que mais que isso, o que mais doi em mim é como eu sou a primeira a me machucar, como consigo me mutilar e ainda fingir que está tudo bem, acreditando na lei do retorno que sempre tarda em chegar. Sei exatamente o quanto dói pagar de amiga quando a amizade passa longe, o quanto me prejudica abrir mão da minha rotina quando alguém me pede a mão, o quanto perco tempo tentando entender o que poderia ser explicado se eu tivesse coragem de perguntar. Peco por não falar aquilo que me incomoda, porque sinto raiva ou desmotivação e estampo no rosto alegria e satisfação. Peco quando sinto ciúmes e finjo achar normal, peco quando digo estar tudo bem quando tudo está mal.

Dói manter-se a disposição para ouvir, ajudar e quando procuro um ouvido ou um abraço estou sozinha em um quarto. Meu ombro amigo é um computador, as palavras de consolo que ouço, são os barulhos que o teclado faz enquanto digito, o abraço apertado é a música que ouço enquanto as lágrimas deságuam junto aos acordes. Dói saber que sou corajosa de travesseiro, quando deito digo que vou fazer e acontecer, mas quando acordo, continuo a mesma covarde que não consegue dizer não as pessoas e que faz de tudo para agradá-la. Ainda que grite mais que antes, as frases que solto não são metade da angústia que carrego há anos, a única evolução significativa que tive é que não tenho mais câimbras de tanto escrever, pois troquei o papel e a caneta por um computador. Só que tudo tem limite e hoje, me sinto cansada, cansada desse feedback que eu não permito me alcançar, cansada dessa falta de coragem, desse medo de dizer o que penso ou de dar saltos largos, é tudo sempre muito bem premeditado, cada palavra é pensada, treinada, ensaiada. 

Na frente dos outros, as palavras não saltam como saltam neste papel, as lágrimas são tímidas demais para terem plateia, os sentimentos só afloram quando estou aqui. Não, não estou reclamando do papel, gosto e preciso dele, é que sinto falta de um carinho, de alguém que se dedique a mim do mesmo modo que sou aos outros. É que não é a primeira vez que reclamo disto ou de mim mesma, é que tá cada vez mais insuportável. Sei exatamente o erro, o histórico e suas consequências e ainda assim, não faço nada para mudar, continuo esperando o dia que alguém irá invadir novamente a minha vida e tomar posse de todas essas dores e dividir comigo as angústias da minha própria personalidade.

Será este o fim?

Tu diz que eu te coloco em segundo plano, mas tu já pensou direitinho o que eu faço por tu e o que tu faz por mim?

* Tu lembra que eu passei a semana inteira estudando na véspera da prova e dormindo 4h por dia porque o final de semana que eu deveria ter estudado eu fui praí?

* Tu lembra que eu quando estou aí vou para onde você vai e faço tudo - com sorriso no rosto - que você quer fazer. Que eu trabalho e estudo, tenho um monte de coisa acumulada e abro mão dos meus finais de semana para ficar com você. Nem que seja passando horas no telefone, mesmo cançada ou dormindo pouco.

* Você lembra que no meu aniversário as minha amigas ficam completamente indignadas porque eu só dava atenção a você e por mais que seja justificado, já que você não conhece ninguém, não custava nada você tentar ser mais simpático e pelo menos conversar, mesmo que não gostasse. Eu também não tenho nada em comum com os seus amigos e converso com eles, assim como até os mantenho no facebook.

* E se você não da importância aos seus amigos e os colocam em terceiro plano, não espere que eu faça o mesmo. Suanny é mais que amiga, é a minha irmã - devo muito a ela e a família dela - e a forma como você se refere a ela é irritante. Só para você enterder, você ia gostar se eu falasse com desprezo ou falta de interesse com a sua mãe? acredito que não, então pense que o carinho que você tem pela sua mãe, eu tenho por Suanny, só para você entender, via comparação, a importância que tem Suanny para mim. Ela me acompanha há 10 anos, conhece todos os meus defeitos e qualidade, até melhor que a minha própria mãe e se ela, se encomoda com a forma que eu trato você, isso pesa muito para mim (tipo a imagem que a sua mãe tem de Dayse)

* Tu lembra que no dia do meu aniversário, no dia que a gente dormiu no hotel e em todas as vezes que você chegava cansado você deixava de estar/falar cmg para ir dormir? Sem contar as vezes que eu estou dormindo e acordo sem reclamar, quando eu eu sei que ao você desligar e pegar no sono e eu ainda vou demorar umas meia hora - como agora - para dormir novamente?

* Você lembra que apesar de você não estar nem aí para ninguém o seu comportamento no facebook ou em Belo Jardim podem afetar a opinião que o meu irmão tem sobre você a ponto dele não te dar mais carona ou não querer que eu vá à Belo Jardim por sua causa. Pois se ele falar a minha mãe as coisas que ele vê, meu namoro com você pode se tornar o maior inferno.

* Tu lembra que no começo do namoro da gente nós passávamos horas no telefone, mais de uma hora conversando um monte de besteira - que eu amava - . Que no começo do IFPE eu lhe acordava e depois que você se arrumava que tava subindo para o colégio você me ligava, no horário do almoço me ligava, quando eu chegava em casa eu te ligava e quando ia dormir também. E por sinal, foi você que deu essa rotina de ligações, não eu. E que hoje você esquece de me ligar, deixa o celular em casa "carregando", rejeita as minhas chamadas, não me atende, deixa de falar cmg pra fumar maconha ou ir dormir na sala. Eu acho engraçado você consegui passar o dia inteiro sem falar comigo, será que só eu me acostumei? a gente se falava pouco mas se falava, hoje a gente já passou por dias de passar um dia inteiro sem se falar e você simplesmente desligar o celular.

* Sem contar as grosserias, pra mim, desligar o celular e, as vezes, a forma como você fala comigo são totalmente grossas e machista.

As vezes eu olho para você e não acho aquele menino que quer estudar, correr atrás do futuro e não acabar comendo chumbo na moura. Olho para você e procuro aquela pessoa que mesmo fria, demonstrava gostar da minha companhia e de conversar comigo. Daquele menino que ia esperar um ano me vendo de 15 em 15 dias enquanto eu me formo e que não ia ficar com mais ninguém. Se você diz que eu te coloco em segundo plano - o que eu não concordo - e eu? Namorar não é saber se a pessoa está bem ou como foi o dia dela não, namorar é fazer planos, é contar nos dedos os dias para se ver novamente, é esperar ancioso por um reencontro. E eu sinceramente, só consigo ver uma pessoa egoísta, irresponsável e incosequente, que não consegue conversar, fala o que bem entende e diz que vai dormir.

Eu prometi a mim mesma esperar o tempo que eu aguentasse por acreditar que esse seu comportamento é fruto da insegurança e da distância entre nós, só que as vezes, é muito difícil manter-se a disposição, chalerar sozinha, ficar adulando o tempo inteiro, ser uma pscicopata que não te dá sossego enquanto você só pensa em você, para tentar te provar o quanto eu quero ficar ctg. Eu não sou uma pessoa submissa, eu não sou de chalerar nem fazer as vontades de ninguém e por você, eu abro mão dos meus princípios de ser do jeito que eu sou para te agradar. Por que eu sei que se eu colocar em prática o meu modo de pensar, a gente não namora uma semana. Sou totalmente contra muitos pensamentos e atitudes suas, vivo uma briga diária para provar as pessoas que você é uma coisa boa na minha vida só que as vezes foge do meu controle e todos começam a abrir os meus olhos por me conhecerem e saberem que eu não sou assim.

Hoje eu prefiro não reclamar do seu sono, da sua mania de não levar as coisas a sério e na maioria das vezes, não reclamo quando você vem com os seus pensamentos egoístas enquanto se eu disse que te ligo e não te ligar, você também não liga, se eu não te acordar, você fica com raiva, se eu não for praí pq vou sair aqui, tu reclama.

No começo do namoro da gente, todos os seus planos era "a gente isso" era "eu e você", era Chico, era nossa casa, hoje é , meu aniversário vou chamar os meus amigos chegados, no fig eu vou vou encontrar todo mundo. Tudo que você falar hoje seja sobre o presente ou futuro é apenas você. Infelizmente eu não tenho uma memória muito boa para lembrar de tudo que você fala e foi uma escolha minha não dar ouvidos ao seu discurso egoísta mas machuca albério, é foda se desdobrar para te agradar e não receber nem um to com saudades em troca. Depois de meses, hoje foi a primeira vez que você atendeu a ligação dizendo "meu amor" e logo depois um "não me esqueça não" Ultimamente você só tem feito dizer o que eu disse primeiro, se digo que to com saudades, você diz também.

Vai no facebook, coloca em ver amizade e vê a quantidade de coisa que eu te mando e a quantidade de coisas que você me manda. A última vez que você me mencionou em algo "romântico" foi antes do carnaval. Tudo bem, eu tenho mais acesso a internet e tenho créditos, mas você espera que eu faça alguma coisa primeiro para você retribuir.

Não to esquecendo das coisas que você fez não, sei que coisas que você nunca falou para ninguém, você me levou para a sua casa. Você não é o errado dessa história não, até porque não tem errados nessa história. Não queria estar passando na cara nada disso, mas é que eu realmente cancei de só ser cobrada sem você olhar o seu comportamento também. Desculpa se para você tudo isso é uma chatisse, mas é que tá doendo amor, você não sabe o que é contar as horas para falar com alguém, estar cheia de saudades e carinho e esta pessoa ser fria ou não ter o mesmo sentimento para lhe dá. Desculpa se estou cobrando muito de você, mas é como Suanny falou no recado que ela te mandou sobre a foto, - que você não leu -  hoje você acha que tudo isso é normal e massa mas quando você sentir realmente as consequências do seu comportamento pode ser tarde demais
e as pessoas que lhe cobram ou reclamam com você são as que mais lhe querem bem e que realmente (por terem mais idade) se preocupam com você.

Eu já estive no seu lugar e infelizmente ninguém abriu os meus olhos. Com você eu me dou conta de muita atitude minha que eu achava massa e dizia que era a minha mãe ou meu irmão me enchendo o saco, quando na verdade eles queriam me ajudar e eu não dei importância. Longe de mim querer que você mude, eu gosto dos seus princípios, eu só vejo que você se perde por qualquer coisa e sempre foge quando o papo é sério. Seus amigos são mais perdidos que você, maconha é massa, mas você não pode se perder ou se distrair com ele, saiba usa-los. Tudo bem que você só tem 19 anos, mas você não é mais criança e precisa correr atrás do seu futuro, depois dos 20 o tempo voa amor. Cê tem todos os planos para se dar bem na vida, tem uma mãe perfeita e todo o meu esforço para te fazer feliz, não deixe que o peso e as responsabilidades da vida atrazem o seu caminho não.

Não sei qual será a sua reação depois de ler isso aqui - se é que tu vai ler - mas espero que nada do que eu falei lhe machuque ou faça você me deixar, não ententa isso tudo como se eu estivesse passando na cara - apesar de parecer - veja como um aviso de quem lhe ama e que está fazendo de tudo para não te perder por coisas externas. Apesar de tudo que falei, eu ainda olho para você e sinto o meu coração bater mais forte, é como se tivesse alguém dentro de mim dizendo o quanto é bom ter você por perto e cuidar de você só que eu não sou de ferro e já sofro pressão por todos os lados. Hoje quando te ligo, já não tenho a certeza se ficarei bem ou mal no final da ligação e o que me fez ficar com você foi realmente o contrário, era a paz de espírito e a tranquilidade e segurança que hoje você já não me passa mais.




Irresponsabilidade


É querer cobrar responsabilidade de uma criança, de alguém que só sabe o significado da palavra e ainda não colocou em prática. É exigir de quem não sabe o que é, que não abriu a mente ou provou das conseqüências fortes que ela pode provocar se não soubermos lidar com ela.

Mas é isso que dá se envolver com pessoas assim, você pensa que vai mudar, que é só questão de tempo para acordar e a cada capítulo inédito a sua expectativa diminui. Acaba sendo necessária muita energia para fechar os olhos e fingir que tudo está bem, quando na verdade você queria era abrir a cabeça – literalmente – e sair enfiando um monte de coisas. Até onde isso é defeito, não me atrevo a dizer, mas que estas atitudes irresponsáveis, de pensamento pequeno e acomodado me incomodam profundamente, ah! Incomodam. Dormir é necessário e muito bom, mas temos uma vida pela frente e não podemos passar por ela dormindo.

Se eu for falar, vão dizer que é posse, é porque to querendo moldar a pessoa ao meu pensamento, mas não sou a única que pensa assim e não tive perdas drásticas com o meu comportamento. No fim das contas, as insatisfações chegam na ponta da língua e voltam, as vezes fazem plantão nos meus pensamentos mas me falta coragem para colocá-las para fora. Caço energias de onde quase não tem e continuo na esperança de que mais para frente será melhor. Sempre é difícil fingir que não vê, mas a vontade de ficar por perto se torna um bem maior, de repente, normalmente quando estamos presente, sempre nos esquecemos destes e de tantos outros episódios. Mesmo distante, a vontade é tanta que mesmo indigesto, a gente faz disso um alimento acreditando que no fim, será forte e sadio. 

É na guerra que descobrimos


É engraçado como uma pessoa, um pedaço – às vezes não muito grande – é capaz de alterar toda a sua estabilidade. No meio de uma série de afazeres e prazeres às vezes inumeráveis, uma pessoa, um numeral, consegue desestabilizar e causar uma expressiva sensação de caos.

É, esta pessoa é o seu namorado, é assim que você percebe que este é mais que um amigo, parente ou alguém que está fazendo besteira. Só ele tem a capacidade de fazer uma curva simples na rota das coisas lhe provocar uma sensação de tsunami, que sai derrubando e desracionalizando toda à órbita. No meio de estudo, trabalho e até de você mesma, ele é capaz de posicionar-se superior a isso e tornar uma simples atitude não esperada ou irracional, em uma verdadeiro impacto social.

Tudo pode ser justificado pelo hábito, quem é a pessoa que você mais partilha a vida além do seu companheiro? Ninguém! é a ele que você recorre no triunfo e na derrota. Quem te vê toda assanhada e com aquela cara de sono e ainda te dar um sorriso, mesmo sabendo quão desmantelada você está? É talvez por dividir tantos momentos e sentimentos, um comportamento inesperado faz com que a sensação de erro seja sua, ou pior, o questionamento típico “quem é ele para fazer isso comigo”. Quanto mais dedicação temos, mais cobramos dos dedicados, o mesmo se aplica hábitos, tratamentos, sabemos que ninguém é igual, mas é como se a aquela pessoa tivesse que ser.

Talvez se nós não dependêssemos tanto ou quiséssemos ser tão semelhantes, tais comportamentos não incomodariam tanto, mas é esta a grande diferença entre amigos e companheiro. E é exatamente esta indignação que faz com que esta pessoa ocupe a posição que ela ocupa na sua vida, mais do que as questões teóricas-filosóficas de gostar x amar; namorar x ficar e tantas outras que nos ajudam a identificar quem de fato é o seu amor.

Desalinhar


Sempre ouvi dizer que relacionamento é troca, mas sempre confundi-lo com dedicação exclusiva, desta vez, há mais dedicação exclusiva do que uma troca de fato.

Já faz parte de mim dedicar-se aos problemas e felicidades dos outros, sempre foi comum a minha satisfação está ligada à realização de um terceiro. Mas nunca me dei conta ou estive reprimida por tal comportamento, a grande questão é que em um determinado momento, percebi que aquilo que tinha ou queria, estava muito mais ligado aos outros do que a mim. E logo eu que sempre critiquei a falta de atitude alheia, estava sendo totalmente pautada por outras pessoas. Só que tal reflexão se dá exatamente em um momento de transição, de auto reconhecimento, de grandes mudanças que às vezes é visto como egoísmos.

Tergiverses a parte, hoje já não me permito viver em função ou tomar os problemas dos outros para mim. É mais difícil, principalmente pelo choque de quem estava acostumado, pois estes terceiros são íntimos o suficiente para interpretar como quiserem. E a tal da interpretação é capaz de fazer estragos grandes, em pessoas como eu, que não se dispõe a explicar as coisas antes de fazê-las. A princípio, isto cabia a amigos e família, pois me faltava um amor, e durante esses dias, essa diferença entre troca e dedicação exclusiva se tornou razão de um grande desalinhamento, muito bem alinhado em um encontro de lábios, mas precedido por muita insatisfação e desejo de finalização.

É fácil ficar sentando vendo os defeitos dos outros ou regulando o comportamento alheio, sem olhar a si mesmo. Existe uma grande diferença entre aquilo que as pessoas são e como você gostaria que elas fossem. São essas duas verdades que explicam o desalinhamento pessoal, para um possível alinhamento do casal. Mesmo não condizendo com o a minha postura atual, pretendo mudar o ponto de vista para vê se surge uma equidade na troca. É como se houvesse um trato, ao invés de projetar a mim, vou projetá-lo para vê se a assim a postura dele muda e com essa mudança do meu comportamento o nosso relacionamento fortaleça novamente.

Sei que a distância e a minha falta de foco contribuíram para esse desalinhamento, mas o recente encontro, de pensamento desviado em alguns momento, me fez escolher de que lado desta linha quero ficar e como toda escolha exige forças, vou gastar as minhas em função dele. Tudo isto porque o parceiro não solta os pensamentos de traição recorrentes em seu passado e somado a sua imaturidade proveniente de sua pouca idade, fazem com que o esperado não conduza com a realidade, o que acaba gerando a minha insatisfação. Mas, com razão e desejo reconhecidos, fica bem mais fácil alinhar.

Olhando para mim, admito que deixo nascer outra pessoa novamente, é mais uma que surge para agradar e fazer um relacionamento dar certo. Não estou sendo eu quando aceito a submissão, não estou sendo eu quando me coloco ao seu serviço. Estou sendo eu quando exagero no amor e me adapto a você, não que neste caso não esteja, é exatamente por adaptar-se que digo que vou me acostumar com a sua postura e falar apenas aquilo que você quer ouvir. Se isso é exagerar, já não sei, o fato é que ando cansada desses galhos e ainda com raiva, não canso de ter provas do quanto você me encanta.

Deixar e ser deixado


Às vezes eu penso que você pede para ser deixado, se soubesses dos últimos sentimentos, não agiria assim. É como se quisesse e não achasse motivo, é como se não soubesse namorar, sinceramente não entendo. Sobre o pouco que entendo namorar não é dizer que ama e perguntar como foi o dia, namorar é provar diária e inesperadamente o quanto aquela pessoa é importante para você. Se existe de fato um sentimento, porque tantos altos e baixos? Dizem que o amor é cego, mas o seu – se é que existe – deve ser biônico ou especialmente desenvolvido para olhar apenas para si mesmo.

Responder ao que se é imposto não é amor, amor não tem rotina, não tem singularidade, não tem egoísmo. Acho que na escola que você cresceu, você era aluno especial, foste educado como único, como aquele que todos servem e dão atenção, mas cadê a reciprocidade? Cadê o amor que você diz ter? Cadê a unidade? Fazer as minhas vontades não é amar, isso é ser acessível. Responder aos carinhos soa até como esmola, como agrado, nunca como amor. Não sei se é de onde você vem ou é comigo, mas não sei achar normal tudo isso. Cadê as palavras doces, que mesmo sendo apenas palavras, tem o poder de tornar os dias mais fáceis? Cadê a criatividade? Cadê a emoção de amar? Tudo isso se perdeu e nem desgastado ainda estamos.

Não, não é “viagem” minha como você vai pensar. É como se na virada do mês aquele menino inseguro e autocrítico se transformasse no maior dos autossuficientes da prateleira mais alta, que acha que faz um favor em me ligar.  Ok! Seus defeitos são mais notáveis hoje em dia, mas além disso, o que mudou? Não plantei egoísmo para colher preponderância, plantei carinho e só recebo bipolaridade. Parte disso, é culpa da falta de conhecimento, estamos nos conhecendo, eu sei, mas quando você se apresentou, não sabia que chatice, irresponsabilidade e mimos nos trariam problemas. Tá, também tenho defeitos, mas no meio deles, garanto que nenhum lhe coloca em segundo plano como costumo ser deixada. Já temos a geografia para nos atrapalhar e você ainda coloca mais meninices e imaturidades para nos afastar. Seria mais fácil se pudesse ver os seus olhos o que é raiva e o que é saudade, mas o que ouço, só tem sido um discurso egoísta de uma pessoa que não faz a mínima questão de estar comigo.

Existem certas frases ditas por você que são executadas instintiva e repetitivamente na minha cabeça, são elas que me fazem pensar duas vezes sobre o meu comportamento doce ou presente. Pode ser rancor ou nóia da minha parte, mas é claro que não éramos assim, tínhamos uma sintonia, encontrávamos prazer no outro, agora é como se estivéssemos esperando a próxima alfinetada, já que, como você diz, não brigamos. Não me queixo dos seus defeitos, a ele, acredito que posso me acostumar, reclamo da sua ausência, reclamo de não conseguir saber o que está acontecendo. E exatamente por não saber, fantasio coisas, altero meu humor e não relaxo. Tudo o que não é do amor, namorar é ter sonhos possíveis e bom, não fantasias, amar é ser doce, é viver em paz não é este estado de alerta que nós estamos.

É, não sei!


É, tá cada vez mais difícil esconder esse sentimento, por muito tempo, consegui controlar e até torna-lo algo tranquilo. Só que agora tudo mudou, de nós, até o ambiente em que vivemos já não é igual à antes. Estamos fazendo um ano e quanta coisa aconteceu, para qualquer lugar que olhe, há um pouquinho de você, desde um comentário até a sua presença de corpo inteiro, são doze meses de convívio contínuo, com algumas variáveis, mas sem intervalos. Hoje, já não consigo separar, digo até que me conheces, não sei se isso é bom ou ruim, só sei que somos íntimos e isso não dá para separar.

Construímos a nossa amizade em cima de um ambiente de transição e rumores, sou eu me encontrando, no momento em que você se reinventa, enquanto todos vêem além dos próprios olhos. Não sei até onde abri a cortina para os outros começarem a dizer o que dizem, mais sei que levei muito tempo tentando transformar todo aquele encanto em amizade. Admitindo que você não ajuda tanto (fala de mim, mas é igual) resistir ao seu charme sempre foi uma tarefa difícil para mim. Enquanto haviam paredes, até que deu para justificar com outro foco, mas depois que elas ruíram, minha mente fértil quis fazer o “certo” ruir também. Até a primeira aproximação, estive bastante certa da minha condição. Foi tanto tempo amiga, amiga, amiga que hoje não consigo ser outra coisa e talvez por causa de tanta confiança, hoje somos assim. Uso a palavra assim por não saber explicar o que somos, partindo do que sinto, somos amor. Não aquele amor de cinema ou estereotipado pelo relacionamento entre um homem e mulher, mas aquele amor que ouve, se preocupa, cuida e sente saudades, o mesmo amor que se sente por um irmão ou amigo de verdade. A única diferença desse amor é o desejo, a sinergia de cheiros que atrai a admiração que transcende qualquer limite quando estamos presentes. Mas será que tal sentimento pode ser chamado de paixão? Será que nós nos encaixamos no estereótipo de casal? Sinceramente, não sei.

É complicado domesticar um sentimento e depois deixar que ele fale sozinho, principalmente quando sabemos de tudo e nos apegamos a pessoa. É exatamente esse saber que faz com que a ideia de casal seja totalmente descartada, depois de tudo, sei que precisas da liberdade. Foram muitos anos de asas cortadas e sentimentos frustrados para em questão de meses se dedicar exclusivamente a outra pessoa. Me conheço o suficiente para saber que se eu deixar me levar, o sentimento de posse vai aflorar e sei que depois de 10 anos de altos e baixos, relacionar-se costuma ser algo complicado. Ainda não passei por frustrações suficientes para me fechar ao amor, pelo contrário, quero mais é transformar todas elas em triunfo, quero poder pôr em prática todas as lições aprendidas nesses 10 anos de relacionamentos sérios e não tão sérios assim. Só tenho um trauma e milhões de lições, milhões de sentimentos dispostos a ser depositados em um único coração, que apenas faça por onde merecê-lo. Se eu souber o que é amor, já amei e desamei muitas vezes, foram muitos contos de fadas sem um fim consistente, o que quero agora é um amor de verdade, uma história real, sem data para “happy end”. Já passei por todo aquele período de conhecer a si e entender o mundo, quero agora me sentir parte dele e uma das rodas que o movimenta, meu tempo de ser carregada ou depender dos outros já deu.

Você me pergunta se pretendo terminar


Você me pergunta se pretendo terminar, eu, que nunca tinha me perguntado isso, tenho medo da resposta que posso dar. Pela primeira vez não sei se devo falar o que se quer ouvir ou aquilo que passa na minha cabeça, quem sabe até o que realmente queira – mas como falar o que quero, se nunca parei para pensar.

A verdade é que nem tudo se responde com um sim ou um não. Nesse caso, seria sim, se não tivesse a plena consciência de que você precisa da sua liberdade, se desprender de qualquer tipo de obrigação ou monogamia. E a mesma consciência de que não funciono no modo pega e não se apega, gosto de me dedicar, cuidar, não sobrevivo à incerteza ou um não, sou possessiva demais pra isso. Ainda que não sufoque, gosto de certezas, não quero doar a quem não quer fazer o mesmo. Aí acaba sendo não pelo simples fato de querermos coisas diferentes, não culpo, é mais que necessário o seu desprendimento, mas ao mesmo tempo, é tarde e arriscado para mim permanecer a disposição. Tenho muito amor e carinho para dar, mas só faço depósito em conta confiável e neste caso, é hoje e pode não ser amanhã.

Eu vou cantar pra saudade

Acho que não sou a única a sentir saudades por aqui, ninguém com outro sentimento, me ligaria em pleno meio da semana, durante a madrugada para saber como estou se não estivesse sentindo saudades. Com uma voz doce, desconfiado por ter me acordado, não quis falar muito, para que eu não despertasse. Sabia que eu estava dormindo, mas a vontade de falar era maior. Sentir como se estivesse sufocado, no meio de confusões e viu em mim, a chance de se desprender por alguns instantes.

Ainda bem que, mesmo dormindo, lembrei tudo isto antes de reclamar por ter esquecido o meu aniversário ou por ter sumido. Mas eu sabia que você sabia do meu dia e sou eu que não tenho respondido as suas mensagens. Prometi que não ia mais te procurar, preciso esquecer tudo isso antes de estragar mais uma estória por não resistir a você. Me pego pensando, não posso negar, mas aceitei em terminar. “É mais fácil começar uma nova estória do que concertar uma antiga” – já ouviu isso? Nunca acreditei tanto nisso como agora. Prova disso foi expor a gente para quem poderia morrer sem saber, mas contar me ajuda a me distanciar. Depositar em outro os meus pensamentos, faz com que, no meu repertório, você fique para trás. Penso em um dia jogar tudo para o alto e colocar em prática tudo que sempre quisemos -só que na mesma hora volto atrás e penso que não vale a pena. Tivemos o tempo da gente e você as suas chances, nada se consolidou, então porque agora? Pra quê arriscar? Prefiro deixar pra lá, direcionar as minhas energias, pedindo a cada dia, que você evite aportar minha mente.

Eu não entendo


Introdução

Por acreditar serem as primeiras frases de uma história, se inicia esta narração, começo sem um era uma vez, até porque, vezes tivemos muitas e nada aconteceu.
   
Era natal, a falta do que fazer e o tédio de estar em uma cidade que nada de emocionante acontece, fomos atrás do “natal da pegação”. Achava pitoresco uma festa que trazia sagrado e profano em seu nome. Por se tratar de um lugar chamado chaminé festas, fui até a estação – logicamente a festa deveria ser lá, mas não. Quando vi uma certa movimentação, achei ter chegado na tal festa, só que não, era rock e maracatu, fiquei feliz, pessoas conhecidas e música boa. E ali no meio, só podia estar ele, o bonitão. Aquele que sempre, desde que o vi pela primeira vez, sempre pregou a minha visão – e olhe que se fosse no sentido literal da expressão, aja cola para prender tantas vezes a minha rodada visão.

Não sei o que ele tem demais para me chamar a atenção, é normal para os meninos que conheço, sempre presente e ao meu alcance, talvez fosse transcendental ou sinal, o fato é que, mesmo sem uma razão óbvia, ele sempre se destacou ao vários da região. O mais próximo de uma razão seria ser o único que nunca “pagou pau” dali, mas isso não justifica tal atração, não sou tão vaidosa assim. Então, no meios do batuques, ele estava lá, mais uma vez, sem me dá atenção e eu de longe, só observando, sem forçar nenhuma situação. Ele, “muito doido” olhava, olhava mas não fazia nada – comecei a pensar que não me reconhecera, foi tanto tempo distante, sem cabelos vermelhos e roupas “diferentes”, que sempre penso que me olham como outra pessoa. Após muitas olhadas e depois de ter falado com todos,  o bonitão chega em mim, não me recordo o papo, só lembro da minha falta de educação em deixar o meu primo de lado para ouvir o que ele tinha para me dizer. Direto, deu logo sinal que queria algo ao perguntar se estava namorando e quando voltava. Posso ter “pesado” depois, mas no dia do boi de natal, carnaval e redenção, foi ele que deu sinal do que queria.

Eu, dei todos os sinais, mas estava indo embora no outro dia e não ia ser mais mal educada que já havia sido com o meu primo, então, deixei o bonitão e foquei no maracatu. Lógico que ao chegar em casa, recorri ao viciante amigo facebook para estabelecer diálogos com o bonitão.

Contrato de contradição

Sei da minha eterna contradição, sei da minha fácil adaptação, mas assim como sei de tudo aquilo que já passei, sei do quanto me sinto disposta a viver com você. Por muito tempo eu tive repúdio a esse papo de casamento, mas essa distância e a agunia que dá querer te tocar e não poder, me dá vontade de morar com você. Quem casa, que casa, já diz o ditado, no meu caso é quero casa com você. Todo dia sonho em voltar pra casa e te encontrar, poder deitar mais uma vez no teu colo e poder conversar com a única pessoa que realmente tem me dado atenção.

São só 21 dias, sei disso também, mas é como se já te conhecesse e por mais ilusório que seja, é como se você não fosse capaz de me machucar. Queria que os dias voassem, que terminasse tudo aqui para poder ficar mais perto de você e ter a certeza de que nada disso é em vão. Poder dizer que de onde menos se esperava, saiu aquele que conseguiu me livrar dos amores doentis, do egoísmo e individualismo constante que vivi. Sempre que penso em você, tenho vontade de te pegar no colo feito criança, proteger como mãe protege um filho, não queria que te faltasse nada, das coisas mais abstratas até as mais materiais eu queria poder te dar, só para retribuir o bem que você me faz.

Sei que daqui há alguns meses posso ler isso novamente e dizer que nada disso foi verdade, posso estar assinando o meu atestado de contradição, mas hoje, falo com todas as palavras que não te trocaria por ninguém. Não vivemos o suficiente para ter essa certeza, pode ser encanto de começo, pode ser muita coisa ruim, mas também pode ser as primeiras frases de uma longa história.


Não aguento

Já falei muitas vezes que não aguentava, mas hoje eu realmente, não aguento mais. Chegar mais tarde em casa, viajar, evitar dirigir a palavra não é o suficiente, ajuda, mas é tapar o sol com a peneira. Minha cabeça dói, não dá mais pra fingir que isso tudo não está acontecendo. A verdade é que pensamos diferente, queremos diferente, sonhamos diferente, nada será igual e forçar uma igualdade é ferir a si mesmo. Não é que eu odeie, juro, não odeio, sou até muito grata, mas isso não quer dizer que preciso engulir calada.

Só queria ir embora, andar com as minha próprias pernas, meter a cara no chão se for preciso até, mas ser eu, só isso! E daí se ando com um monte de meninos, e daí se eu não agrado as pessoas, se eu ficar sozinha, drograda ou rapariga é escolha minha, se eu quiser, não vai ser você que vai me impedir. Minha cabeça dói, parece que vai explodir e essas lágrimas que não me deixam respirar, Oh Deus! Quantas vezes já te pedi pra mudar isso. Até quando vou ter que aguentar?

Do nosso amor, a gente é quem sabe

Quem se importa se isso tudo é um erro, quem se preocupou comigo nas várias vezes que me machucou. Somos perfeitos? Não erramos mais? Viramos robô, nos tornamos ciência e só, não há mais sentimento, não há mais emoção. Se estamos juntos é porque é coerente, não porque nos sentimos bem. Se vamos nos comprometer, temos que pedir permissão aqueles que gostam da gente. Ahhh, façam-me um favor!  Quantas vezes estive feliz com os meus impulsos, me adapto, não vou machucar ninguém, e ainda que machuque, é na perca que aprendemos. 

É muito fácil estar, confortavelmente, de fora apontando os erros dos outros, olhando os fatos, não os sentimentos. Se os meus atos dependessem somente dos fatos, minha vida seria outra – melhor até! Mas infelizmente, não somos puramente razão, precisamos dela, mas não podemos viver só com ela, os sentimentos é que temperam a relação, que fazer de nós humanos. Os erros de hoje, são os acertos de amanhã, viver uma vida sem risco, sem erro, é viver superficialmente. Isso não quer dizer, que vamos sair machucando todo mundo, mas não podemos deixar de viver porque vamos cometer um erro, ninguém sabe de tudo, o que para você é um erro, para mim pode não ser.

Dizer que sei o que estou fazendo é mentira, mas não estou vivendo uma mentira. Só eu sei o que me leva a aceitar ou não e o que pode ser bobo para você, para mim não é. Se para uns a errada sou eu, o meu “erro” é uma defesa. Já senti na pele os lados de um amor, da dor de ser deixada até a overdose de um romance pleno e nesse assunto, sei, melhor do que muitos, onde estou pisando. Olhar de fora, sem sentimentos, é fácil entender e dizer quem tá errado, mas joga um balde de medo, insegurança e dor que verá que não é tão simples assim.

Pode ser carência, refúgio, pode ser o que vocês quiserem, não vou provar nada. Eu sei que não é isso, é na verdade, um modo de me manter presa ao que é certo. As escolhas foram feitas sem levar os meus atos em consideração então porque eu vou considerar quem não se arrisca por mim. É muito lindo esperar por quem nunca esperou por mim, é muito romântico ser fiel a quem, nem quando estava comigo, foi fiel a mim. Só que o amor cega e me tira os limites, se ficasse como estava, não ia prestar.

Eu não preciso amar para estar com alguém, basta sentir-se bem ao lado dela. O amor é importante, mas se ele não nasce novamente, a gente tenta forçar uma semente. Mas como dizem, “eu não amo ninguém”, então, não preciso de nada disso. Tal afirmação não é minha, mas é dita com tanto propriedade que parece até que a pessoa está dentro de mim, sabe todos os amores e desamores que deixaram sequelas em mim, vem de quem acha que sabe tudo sobre o amor.

Dar conselhos e um ouvido amigo é uma coisa, agora falar com propriedade de algo abstrato, apenas baseado em fatos é ousadia. Opiniões são fundamentais, agora querer que me comporte de acordo com elas é demais. São reflexões importantes para mim, só que opiniões não são regras, não é porque você pensa de um modo, que tenho que pensar também. Tá, pra você eu errei, ok! Mas no fim das contas, quem sabe da gente, quem sabe onde o calo mais dói, somos nós mesmos.

O que a gente faz com essa saudade?

É triste entregar a outro, todo sentimento que guardei pra você, é triste ter a certeza que nada mudou e que, quando se tira algo dos outros, este nunca será seu. Junto a toda essa tristeza eu pergunto: o que fazer com essa saudade? Com essa vontade de te ouvir. Reproduzo tua voz na minha mente, mas não é a mesma coisa. Podia ser a besteira que fosse poder fazer como sempre fiz, te surpreendendo mais uma vez com uma ligação. Mas agora já é tarde, já não posso inventar desculpas pra te ligar, é tempo de nem poder pensar em você – mas isto, ainda não consigo.

O que foi que aconteceu com a gente, porque teve que ser assim novamente. Era pra ser você, era pra ser a gente. Depois de tanta coisa nos resumimos a nada, nos perdemos, como você mesmo falou. A diferença é que dessa vez eu fiz por onde, atrasada, mas fiz, e você? O que fez? Pôs todos no meio da gente novamente. Queria entender porque és tão fraco, porque não tens coragem de apostar na gente. Antes achei que fosse por comodismo, por desconfiança, por vaidade, hoje vejo que é insegurança.

Eu vi você ir embora novamente

O que você fez foi ridículo, mas ajudou a esquecer-lhe novamente. Parecia que tinha 17 anos, tanta irresponsabilidade em troca de um amor que mais uma vez, não fez o mesmo por mim. Hoje vejo que nada mudou e acreditar em nós novamente foi mais um erro, somado aos muitos que cometo quando se trata de você.

Apesar dos pesares, eu fui provar que poderia ser real, fui atrás novamente, mesmo sabendo que as circunstâncias eram outras, estava disposta a errar por um bem maior. Ainda desconfiada, fiquei sem saber o que estava fazendo e com o modo automático, observei mais do que falei. Parecia estar tudo perfeito, sentir a segurança que há anos não sentia e a satisfação que parecia não ter diminuído um milímetro nestes cinco anos. Só que estava tudo perfeito demais, tínhamos tudo para selar de uma vez por todas quando “alguém” entra no meio e atrapalha tudo. Eu vi você ir embora novamente, para ir “fazer o certo” – como sempre. Foi cuidar de “alguém” porque era a coisa certa a ser feita e me deixou para trás novamente. Se tivesse cometido todas as irresponsabilidades e tivesse ficado com você, tudo bem, não temo em arcar com as consequências. Triste é saber que fui irresponsável por uma ilusão, por alguém que faz o correto com todos, menos comigo.

Só que agora eu não tenho mais 17 anos, e repito novamente o que disse há cinco anos atrás, nunca mais eu derramo uma lágrima por você e toda vez que sonhar em sentir algum tipo de amor, pretendo me lembrar do que fizeste novamente. Todos temos o direito de errar, mas por uma terceira vez é burrice, então já não adianta mais acreditar, nunca haverá nós novamente. Pena que as coisas acabam e nem sempre os sentimentos vão junto, mas dessa vez eu tenho a certeza de que não darei um passo em favor de nós, como sei que você também, o fim que temia acontecer por outras razões, acabou acontecendo por você mesmo. Me senti uma otária pela segunda vez e pela terceira, você não há de fazer. Passei por cima de tudo e esqueci o mundo só para pensar na gente – de novo – e o que você fez? O de sempre, correu! Passei anos para acreditar novamente, para me desarmar e curar todas as feridas de ser deixada, para ser deixada novamente, pela mesma pessoa. 

Vi um filme passar pela minha cabeça naquela noite, estava sozinha novamente, longe de todos, me sentindo suja e desprezada. Era a mesma cidade, as mesmas lágrimas e a mesma dor, parecia que os anos não tinham passado, parecia até que ia prestar vestibular em breve e não conseguia pensar em mais nada a não ser ouvi-lo dizer que “precisa ir”. Como você pôde fazer isso novamente? Se não existia coragem, porque não me disse? Se não era a hora, porque não me deixou ir? Fiquei por nós e na primeira chance que você teve, você esqueceu de nós. É como se o amor só existisse nas horas boas e conveniente, é como se eu fosse um truque de mágica que posso sumir e aparecer quando lhe convém. Só eu sei o que passei naquela sexta feira 13, só eu sei da dor de ser deixada e ter que manter-se erguida, forte, como se nada tivesse acontecido. Pra depois de tudo vê você querendo conversar novamente, se era pra terminar o namoro, que terminasse naquele dia, enquanto eu ainda não tinha me machucado.

A felicidade é que por ser a segunda vez, já tinha em mim a lição de que por amor não morre e depois de tudo aquilo, as coisas ficaram mais claras na minha cabeça. Tudo que eu quero agora é aprender a viver longe de você ao lado de quem realmente – até agora – me fez valer a pena cada palavra e sacrifício pelo prazer de amar.